Tratamento de pacientes em outros estados é definido através de triagem

Custo para o translado do corpo de pessoas que morrem em outros estados é elevado; nesta segunda-feira 200 pacientes aguardam por vagas nos hospitais

| CORREIO DO ESTADO / GABRIELLE TAVARES


Translado de corpos que morrem em outros estados tem custo elevado - Reprodução

A seleção para transferência de pacientes a receberem tratamento da Covid-19 em outros estados é feita após triagem da Central de Regulação de Mato Grosso do Sul, baseado no quadro clinico das pessoas.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), um médico da Força Aérea Brasileira coleta as informações dos hospitais sobre quais pacientes têm condições de serem transferidos via aérea, baseado na gasometria, dados clínicos e exames.

O transporte dos doentes começou ser realizado no início do mês de junho, com o aumento gradativo na fila de espera por leitos que o Estado começou a registrar. Ao todo, Mato Grosso do Sul já enviou 25 pacientes.

Nesta segunda-feira (14), são 200 pessoas aguardando por uma vaga nos hospitais, 128 delas somente em Campo Grande. A ocupação dos leitos na macrorregião da Capital hoje é de 107%.

O envio é custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas a SES não informou o valor gasto em cada viagem. 

Quando um paciente não resiste à doença e morre em outra unidade federativa, o translado do corpo também é pago pelo SUS, assim como o retornos dos que receberem alta.

Em entrevista ao Correio do Estado na última semana, a médica infectologista Mariana Croda alegou que o envio para outros estados não é a melhor solução, mas a única no atual cenário do Estado.

Ela apontou que o translado dos pacientes que perderam a vida em outros municípios é muito caro e custa em média $6 mil por hora, já que é feito em aviões da FAB.

'Definitivamente esta não é uma alternativa viável, isso está acontecendo para não deixarmos que o paciente morra fora de uma unidade hospitalar', disse.

'E é por isso que estamos gritando pela compreensão da população. Este não é um colapso eminente, estamos assim há muito tempo', reafirmou.

Até o momento, o Estado contabiliza quatro óbitos por Covid-19 nestas condições. O último ocorreu na sexta-feira (11), o homem de 76 anos, de Campo Grande, estava internado no Hospital Geral Vila Penteado, em São Paulo. 

A vítima integrava o primeiro grupo de cinco pacientes transferidos para a capital paulista, no dia 6 de junho. 

A moradora de Dourados, de 52 anos, foi a primeira a falecer fora de Mato Grosso do Sul, na segunda-feira (7). Ela havia sido transferida para a capital de Rondônia no dia 4 de junho.

Um homem de 66 anos, que também estava internado em São Paulo, faleceu na madrugada de quarta-feira (9). Em estado grave, ele havia sido transferido de Campo Grande no dia anterior.

Na terça-feira (8), foi um morador de Maracaju de 53 anos, que havia sido transferido para São Paulo dois dias antes.

Por questões sanitárias, todos os corpos seguiram diretamente para o enterro, sem qualquer cerimônia de velório.

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