Para recuperar o ‘tempo perdido’, alunos da rede estadual poderão ter aula até nas férias em MS

Recomposição da aprendizagem deve funcionar como um reforço para os estudantes

| MIDIAMAX


Aulas presenciais na rede estadual retornaram no dia 2 de agosto. - Henrique Arakaki/Midiamax

Pouco mais de um mês depois da volta às aulas na rede estadual, a avaliação da SED (Secretaria de Estado de Educação) sobre o ensino híbrido é positiva. Porém, não há como negar que muitos dos alunos não tiveram o desenvolvimento esperado depois de mais de um ano estudando em casa. Para recuperar o ‘tempo perdido’, os alunos da rede estadual poderão ter aulas até nas férias, se necessário.

A secretária estadual de educação, Maria Cecília Motta, explica sobre a ‘recomposição da aprendizagem’, que vai funcionar como se fosse um reforço. “Não falamos em reforço, mas sim em recomposição. Alguns alunos tiveram mais chance no aprendizado, por terem mais acesso a aparatos tecnológicos', afirma.

Para ajudar os alunos a correr atrás do prejuízo, as escolas poderão fornecer aulas no tempo que estiver disponível, desde o contraturno, período noturno, finais de semana e até mesmo nas férias. “Usaremos os espaços da escola para agrupar estes alunos, agora não mais por sala, mas por dificuldades de aprendizagem', reforça.

Para avaliar o nível de aprendizado nas escolas, todas as unidades da REE (Rede Estadual de Ensino) passam por um diagnóstico. O objetivo é medir como está o desenvolvimento dos estudantes.

Maria Cecília cita que a volta às aulas teve três  pilares, para que tudo pudesse funcionar sem risco para os alunos e suas famílias. “Foram três ações priorizadas no retorno: a primeira é permitir que todo estudante possa voltar para a escola, queremos que eles voltem e fizemos busca ativa. A segunda foi o acolhimento socioemocional de alunos e professores, muitos perderam membros da família ou presenciaram agressões e violência em casa. A terceira é a avaliação diagnóstica, para avaliar em que ponto estão na aprendizagem'.

Apesar dos cuidados e do protocolo de biossegurança, nem todos os pais se sentiram seguros em deixar os filhos voltarem para a escola. Foi o caso de Fátima Costa, mãe de um adolescente de 16 anos. Com uma idosa em casa, ela não permitiu que o filho voltasse para a escola.

“Ainda não me sinto segura sobre o contágio da covid-19. Sobre o aprendizado, eu tenho dado suporte, mas sabemos que não é a mesma coisa. Tive muitas perdas na família, então optei por deixá-lo no remoto'.

Atualmente, a ocupação nas salas de aula nas escolas da rede estadual depende do Prosseguir. A taxa de ocupação das salas de aula deverá respeitar o mapa de risco de cada município: no caso de bandeira cinza, as salas de aula devem respeitar o limite de 30% de ocupação. No caso da bandeira vermelha, o limite é de 50% da ocupação. Para cidades com a bandeira laranja, o limite é de 70% para ocupação nas salas de aula. Na bandeira amarela é de 90% e na bandeira verde é liberado, ou seja, todos os alunos poderão comparecer às escolas, sem necessidade de alternância.

A secretária de Estado de Educação cita que a única dificuldade para o retorno das aulas é o embandeiramento, já que as cidades que pioram na classificação têm que voltar a limitar as salas de aula.

“Às vezes, quando os alunos entram no ritmo, a cidade volta pro vermelho. Esperamos que todos possamos alcançar a bandeira amarela logo', diz. Para Maria Cecília, a limitação para ocupação de salas de aula pode mudar antes do fim do ano letivo, tudo vai depender dos indicativos da pandemia.

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