Sidrolândia se consolida na agroindústria com R$ 3,5 bilhões investidos

Entre os principais empreendimentos anunciados nos últimos anos, o destaque é o complexo industrial da Inpasa, com projeção de investimentos que chegarão a R$ 2,3 bilhões

| CORREIO DO ESTADO


Complexo industrial da Inpasa terá investimento de R$ 2,3 bilhões - Bruno Rezende

O município de Sidrolândia, localizado a 70 km de Campo Grande, consolida-se como um novo polo agroindustrial de Mato Grosso do Sul. Conforme estimativa da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, entre projetos já efetivados, em fase de implantação ou com recursos já contratados, são mais de R$ 3,5 bilhões destinados a empreendimentos nos últimos sete anos. 

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município, que tem 47.118 habitantes e Produto Interno Bruto (PIB) per capita de R$ 52.756,45, apresenta expansão no processo de agroindustrialização. Ainda de acordo com a gestão municipal, os investimentos abrangem toda a cadeira produtiva, com estrutura de armazenagem de grãos, frigorífico com capacidade para abater mil cabeças de gado por dia, mais de 80 novos aviários, chegada e expansão da suinocultura e produção de etanol. 

Entre os principais empreendimentos anunciados nos últimos anos, o destaque é o complexo industrial da Inpasa, com projeção de investimentos que chegarão a R$ 2,3 bilhões. O complexo industrial terá 170 metros quadrados, em uma área de 97 hectares às margens da BR-060, na saída para Campo Grande.  A unidade terá capacidade para processar por ano 2 milhões de toneladas de grãos, 1,5 milhão de toneladas de milho (volume 50% maior que a produção local) e 500 mil toneladas de sorgo, cultura que, segundo o presidente do Sindicato Rural de Sidrolândia, Paulo Stefanello, “será uma nova alternativa de cultivo para os produtores na entressafra da soja”. 

Na semana passada, o governador Eduardo Riedel (PSDB), acompanhado da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, da senadora Tereza Cristina, do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), Gerson Claro, do presidente da Inpasa, José Odvar Lopes, e outras autoridades, esteve no canteiro de obras da planta para a entrega da licença ambiental de instalação da segunda etapa das obras.

A partir de outubro, quando começar a funcionar, a planta terá capacidade para produzir 800 milhões de litros de etanol por ano, 450 mil toneladas de DDGs (coproduto à base de milho), 44 mil toneladas de óleo e 400 GWH de energia elétrica (anual), a partir da transformação da água em vapor.

EMPREGOS A planta de Sidrolândia é a quarta unidade da Inpasa no Brasil e já está com as obras aceleradas no município, empregando mais de mil trabalhadores. Há previsão da geração de mais de 2 mil empregos na etapa de obras, além de 350 novos postos de trabalho efetivos, a partir do funcionamento da planta, no segundo semestre deste ano.

Além da indústria, também estão previstos investimentos na instalação do posto de combustível e centro de serviços da Rodobras, com previsão de 110 empregos diretos e 60 indiretos.

“A Inpasa segue a linha estratégica definida pelo governo para a industrialização do Estado. Faz o processamento das nossas matérias-primas e, assim, encaixa-se na nossa lógica, que é agregar valor ao produto, além de gerar energia limpa. Aqui tem carbono neutro na sua origem. Temos que agradecer a empresa por confiar no Estado”, enfatizou o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck.

O vice-presidente da empresa, Rafael Ranzolin, explica que a fábrica representa um importante fomento na produção agrícola local. “Nossa meta é potencializar alternativas de cultivo de segunda e terceira safra, além de estimular o desenvolvimento de outros setores, com empregos e renda para toda a região”.

Segundo o presidente da Alems, Gerson Claro, um dos reflexos positivos foi no mercado de trabalho. “A cidade fechou 2023 com saldo de 834 novos empregos com carteira assinada, o sexto melhor resultado de Mato Grosso do Sul, um incremento de 265,6% sobre o desempenho de 2022”. 

Com a chegada de novos empreendimentos, houve também o aquecimento do mercado de locação de imóveis e do movimento nos segmentos de alimentação e hoteleiro. 

Para atender ao crescimento da demanda, o empresário João Comparim está investindo na construção de 80 leitos hoteleiros no modelo contêiner, além de manter o planejamento de ampliar, de 37 para 81 o número de leitos, o Hotel Recanto da Serra, construído de alvenaria. 

O complexo da Inpasa gerou oportunidades também para pequenos empreendedores como dona Juniele Barbosa, que deixou o serviço no frigorífico para montar o próprio negócio em sociedade com a sogra. Ela fornece refeições a 30 funcionários de uma das empresas terceirizadas que atuam no canteiro de obras da Inpasa.

OUTROS INVESTIMENTOS A Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Sidrolândia ainda destaca outros investimentos anunciados nos últimos anos na cidade. A Meta Armazéns Gerais, por exemplo, vai investir R$ 38 milhões para ampliar de 538 mil para 1,3 milhão de sacas a capacidade de armazenagem.

A JBS, que já tem um frigorífico com capacidade para abater mil cabeças de gado por dia, aumentou de 170 mil para 210 mil o abate diário de frangos.

Na unidade de produção da Cooperativa Alfa, são 16 produtores rurais integrados que estão investindo R$ 131,2 milhões na implantação de núcleos com 4 granjas, cada uma alojando 1.572 suínos. Outros 41 produtores estão à espera de financiamento para construir seus núcleos, mais de R$ 336 milhões em investimentos. 

O produtor rural Rodrigo Garcia é um exemplo dos que querem agregar valor agroindustrial à produção. Dono de uma propriedade de 1.300 hectares, que já tem pecuária, lavoura e avicultura, o empresário aloja 67 mil galinhas de postura e entrega 50 mil ovos por mês para a incubadora da JBS. A cama de frango, resíduo gerado pelas galinhas, também é comercializada e usada na adubação da lavoura. 

Ele também apostou na suinocultura e seu projeto é transformar os resíduos dos leitões na fertilização das pastagens e na produção de energia elétrica, com a instalação de biodigestores.

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