Apesar de tarifaço de Trump, setor da carne em MS diz que “nada muda”

Vice-presidente do sindicato afirma que produção já foi redirecionada após anúncio da sobretaxa

| KAMILA ALCâNTARA / CAMPO GRANDE NEWS


Em visita à planta frigorífica em Campo Grande, presidente Lula carimba carnes para exportação (Foto: Ricardo Stuckert)

Mesmo com a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de manter a tarifa de 50% sobre as carnes brasileiras, o setor frigorífico de Mato Grosso do Sul não vê surpresas ou grandes impactos na operação.

“Não muda nada, já redirecionamos a produção. Continua como estava logo que veio a primeira notícia. Seria muito bom que nosso setor estivesse na lista de produtos sem tarifa, mas não ficou, o plano segue', afirmou Alberto Sérgio Capucci, vice-presidente do Sincadems (Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de MS).

A declaração reforça o que o próprio setor já havia sinalizado: a exportação de carne para os EUA, embora importante, já foi suspensa por frigoríficos que operam no Estado. Eles estão buscando novos mercados, como China, Chile e países do Oriente Médio.

O peso da sobretaxa,que adiciona 50% aos já existentes 10%, torna o produto brasileiro cerca de US$ 1,50 mais caro por quilo que o norte-americano, o que inviabiliza a venda. Por isso, frigoríficos com foco no mercado externo já reposicionaram as rotas de exportação.

A expectativa agora é que a carne volte a ganhar fôlego no mercado interno, o que pode levar à queda de preços tanto no varejo quanto para o boi gordo, especialmente em tempos de estiagem e aumento da oferta.

Entre janeiro e junho, as exportações de carne bovina de Mato Grosso do Sul para os Estados Unidos somaram US$ 315,5 milhões, um avanço de 11,4% em relação ao mesmo período de 2024. O volume embarcado, porém, caiu de 387,7 mil para 318,2 mil toneladas. A diferença foi compensada pela alta no preço do quilo da carne, que passou de US$ 0,73 para US$ 0,99, aumento de quase 36%.

Na outra ponta, celulose e ferro-gusa escaparam da tarifa de Trump. Juntos, esses dois produtos representam 36,6% das exportações sul-mato-grossenses aos americanos. A nova política comercial dos EUA levou o Governo Federal a criar um comitê para estudar medidas de reciprocidade e avaliar os impactos à economia brasileira.

Sinais de diálogo - A Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul) avalia que o adiamento de sete dias na entrada em vigor da tarifa e a exclusão de cerca de 700 produtos são sinais de que ainda há margem para negociação. A entidade destaca como positivo o fato de celulose e ferro-gusa, produtos relevantes para MS, terem ficado fora da taxação.

Apesar da carne bovina seguir tributada, a Fiems acredita que a atuação diplomática brasileira já gerou efeitos e pode abrir caminho para novos avanços. A federação reforça seu compromisso com a defesa da indústria local e com a busca por previsibilidade e competitividade nas exportações.

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