Centro-Oeste pode enfrentar racionamento de água até 2050, aponta estudo
Relatório prevê até 30 dias de desabastecimento por ano em regiões mais secas; Capital corre risco
| ANGELA KEMPFER / CAMPO GRANDE NEWS
Cidades do Centro-Oeste brasileiro, incluindo Campo Grande, correm o risco de enfrentar períodos de racionamento de água cada vez mais longos nas próximas décadas, caso não haja investimentos urgentes em infraestrutura e gestão hídrica.
O alerta vem de um novo relatório do Instituto Trata Brasil, elaborado em parceria com a consultoria Ex Ante, divulgado neste mês.
O estudo estima que, até 2050, o país poderá ter uma redução média de 3,4% na disponibilidade hídrica anual, o que equivale a cerca de 12 dias de racionamento em cidades com condições médias. No entanto, regiões mais secas, como parte do Centro-Oeste e do Nordeste, podem chegar a enfrentar mais de 30 dias sem abastecimento pleno ao longo do ano.
Temperaturas mais altas e menos chuva
De acordo com o levantamento, o aquecimento global deve provocar um aumento de 1°C nas temperaturas máximas e cerca de 0,47°C nas mínimas até 2050, em relação aos níveis atuais. Além disso, os pesquisadores projetam menos dias de chuva, mas com eventos de precipitação mais intensos — um cenário que aumenta a evaporação e reduz a recarga dos mananciais.
Essas mudanças, somadas à expansão urbana e às falhas no sistema de distribuição, podem criar um “apagão hídrico' em diversas regiões, caso as políticas de adaptação não avancem.
“O Brasil ainda perde em média 37% da água tratada antes de chegar às torneiras. Esse é um dos maiores gargalos da segurança hídrica nacional', destaca o relatório.
Risco crescente para Campo Grande
Em Campo Grande, o desafio é manter o equilíbrio entre crescimento urbano, demanda crescente e proteção dos mananciais que abastecem a cidade, como o Córrego Guariroba, responsável por cerca de 30% da água tratada consumida na capital. Nos últimos anos, o município enfrentou períodos de estiagem prolongada, com redução do nível de reservatórios e alertas da Águas Guariroba, concessionária responsável pelo abastecimento.
Em nota, a empresa informou que investe continuamente na modernização das redes e em programas de uso consciente. “Nosso foco é reduzir perdas, ampliar reservatórios e incentivar a economia de água pela população. A sustentabilidade do sistema depende da colaboração de todos', destacou a concessionária.
Demanda crescente, oferta em queda
Com o crescimento econômico projetado de 2,7% ao ano, a demanda por água tratada no país deve aumentar 59,3% até 2050, segundo o estudo. Se as perdas nas redes permanecerem próximas aos níveis atuais, será praticamente impossível atender a essa expansão sem medidas de eficiência.
No caso de Mato Grosso do Sul, os períodos de seca já se tornaram mais frequentes, especialmente no Pantanal e no Cerrado, biomas que sofrem com desmatamento e queimadas — fatores que agravam o desequilíbrio hídrico e a perda de qualidade da água.
Soluções e caminhos
O relatório recomenda um conjunto de ações urgentes:
- Reduzir perdas nas redes de distribuição por meio de tecnologia e manutenção contínua;
Reduzir perdas nas redes de distribuição por meio de tecnologia e manutenção contínua;
- Ampliar o reuso de água tratada em áreas industriais e irrigação;
Ampliar o reuso de água tratada em áreas industriais e irrigação;
- Criar incentivos à captação de água da chuva e uso doméstico sustentável;
Criar incentivos à captação de água da chuva e uso doméstico sustentável;
- Proteger nascentes e bacias hidrográficas, com foco em áreas urbanas em expansão.
Proteger nascentes e bacias hidrográficas, com foco em áreas urbanas em expansão.
Segundo o Instituto Trata Brasil, cada R$ 1 investido em redução de perdas pode representar até R$ 3 de economia em obras futuras de captação e tratamento.
O desafio do futuro
Para os especialistas, o recado é claro: adiar medidas de prevenção pode custar caro ao país e à população. “O Centro-Oeste está em uma zona de transição climática e tende a sentir primeiro os efeitos combinados da seca e do aumento da temperatura. Planejar hoje é garantir que não falte água amanhã', conclui o relatório.
Com a combinação de crescimento urbano acelerado e pressões climáticas, Campo Grande e outras cidades da região precisam encarar a água como recurso estratégico — não apenas para consumo, mas para o futuro econômico e ambiental do Centro-Oeste.
Se quiser receber notícias do Site MS NEWS via WhatsApp gratuitamente ENTRE AQUI . Lembramos que você precisa salvar nosso número na agenda do seu celular.











