Efeito Venezuela: O risco eleitoral 2026
Embora previsível no plano geopolítico, o episódio cria um dilema político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
| BOSCO MARTINS - JORNALISTA
O ataque dos Estados Unidos a Caracas, com o objetivo de capturar Nicolás Maduro, acrescentou um fator de instabilidade a já complexa sucessão presidencial brasileira de 2026.
Embora previsível no plano geopolítico, o episódio cria um dilema político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A defesa da soberania nacional havia se mostrado um ativo recente do governo, especialmente após o tarifaço imposto por Donald Trump. A crise venezuelana, porém, muda o cenário.
O tema envolve um histórico sensível: a relação do PT e de Lula com o chavismo tende a ser explorada pela oposição, em um país majoritariamente crítico ao regime de Maduro.
Nos bastidores do Planalto, aliados reconhecem que, apesar de correta do ponto de vista institucional, a condenação brasileira à ação militar americana não gera o mesmo dividendo político de episódios anteriores.
Pesquisas mostram que cerca de 90% dos brasileiros têm visão negativa do governo venezuelano, associado ao autoritarismo, repressão e colapso social.
O governo brasileiro não reconheceu a reeleição de Maduro, mas retomou as relações diplomáticas. A linha adotada é de equilíbrio: defesa da soberania, sem respaldo político ao regime venezuelano.
A crise soma-se a outros desafios internos – governabilidade no Congresso, segurança pública, tensões institucionais e polarização extrema.
O resultado é um cenário de elevada imprevisibilidade eleitoral. Em 2026, o fator Venezuela pode não decidir a eleição, mas certamente acrescenta ingredientes de tensão no caminho do presidente Lula.
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