Chikungunya chega a 95% dos municípios de Mato Grosso do Sul
Entre os municípios com maior número de casos, Dourados lidera com 2.517 registros
| SILVIA FRIAS / CAMPO GRANDE NEWS
Dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul, 75 já registraram casos de chikungunya este ano, o que representa 94,9% do total, segundo dados da SES (Secretaria de Estado de Saúde). Até agora, o estado tem 13 mortes confirmadas, a maioria, em Dourados, cidade que concentra 40% dos óbitos registrados no País.
Entre os municípios com maior número de casos, Dourados lidera com 2.517 registros, seguido por Corumbá, com 1.002, e Fátima do Sul, com 575. Também aparecem entre os mais afetados Amambai, com 415 casos, e Jardim, com 348. Se for considerada a incidência, que leva em conta os registros e a população local, Sete Quedas, Fátima do Sul, Paraíso das Águas e Douradina lideram o ranking
Apenas quatro cidades não têm registros: Alcinópolis, Aparecida do Taboado, Japorã e Tacuru.
Conforme dados do último boletim epidemiológico divulgado, o Estado soma 7.599 casos prováveis. Das 13 mortes, 8 ocorrem em Dourados, 2 em Bonito, 2 em Jardim e uma em Fátima do Sul. Dourados responde sozinho por 40% das mortes por chikungunya registradas em todo o País, que somam 20, conforme boletim do Ministério da Saúde, atualizado até 18 de abril.
Em MS, a vítima mais velha era uma idosa de 94 anos, moradora de Jardim, que tinha hipertensão, diabetes e cardiopatia. Já a mais nova era um bebê de 1 mês, residente em Dourados, sem comorbidades relatadas.
Diante do avanço da doença, o Ministério da Saúde iniciou o envio de vacinas ao Estado. Mato Grosso do Sul recebeu inicialmente 20 mil doses do imunizante IXCHIQ, com estratégia concentrada em Dourados e Itaporã. Ao todo, o envio previsto é de 46,5 mil doses, produzidas pelo Instituto Butantan, primeira vacina do mundo contra a chikungunya.
A vacinação é direcionada a pessoas de 18 a 59 anos com maior risco de exposição e segue esquema de dose única, com restrições para gestantes, puérperas e imunossuprimidos. A meta é atingir cerca de 27,6% do público-alvo em Dourados e pouco mais de 21% em Itaporã.
Além da vacinação, o Ministério da Saúde destinou R$ 28,4 milhões para ações emergenciais em Dourados e região, incluindo reforço na rede de atendimento e medidas de combate ao mosquito Aedes aegypti. Entre as iniciativas estão a atuação de agentes de endemias, uso de inseticidas, instalação de armadilhas com larvicida e apoio de equipes da Força Nacional do SUS, que já realizaram milhares de atendimentos e visitas domiciliares.
A estratégia também envolve distribuição de alimentos e atuação conjunta com órgãos federais e militares, numa tentativa de conter o avanço da doença em uma das regiões mais afetadas do Estado.
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