Não tinha como separar': casal morto em acidente 20 dias após casamento é sepultado

“Mateus 19:6: ‘Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separa’. Não tinha como a gente separar. Os dois morreram juntos. Eles se amavam demais”, declarou em referência à passagem bíblica, ao citar o enterro conjunto

| GABRIEL PITOR, YASMIN CASTRO


Casal morto em acidente 20 dias após casamento é sepultado junto em Itapira — Foto: Reprodução

Familiares e amigos prestaram as últimas homenagens a Paola Talhatelli, de 18 anos, e Mathias Ambrosini, de 20, mortos em um acidente de trânsito 20 dias após se casarem.

O casal, vítima da batida entre um carro e uma caminhonete na Rodovia Vereador Antônio Cazalini (SP-352), na quinta-feira (21), foi velado e sepultado junto, atendendo a um desejo das famílias.

Os dois se conheceram na escola, estavam juntos desde a adolescência, e moravam juntos há cerca de um ano.

Familiares e amigos prestaram as últimas homenagens a Paola Talhatelli, de 18 anos, e Mathias Ambrosini, de 20, mortos em um acidente de trânsito 20 dias após se casarem. O velório foi na manhã deste sábado (23), no Cemitério Parque Municipal da Paz, em Itapira (SP).

O casal, vítima da batida entre um carro e uma caminhonete na Rodovia Vereador Antônio Cazalini (SP-352), na quinta-feira (21), foi velado e sepultado junto, atendendo a um desejo das famílias, em uma cerimônia cheia . Para a mãe de Paola, Taiara Talhatelli, de 37 anos, não poderia ser de outro jeito.

“Mateus 19:6: ‘Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separa’. Não tinha como a gente separar. Os dois morreram juntos. Eles se amavam demais', declarou em referência à passagem bíblica, ao citar o enterro conjunto.

Nesta sexta-feira (22) foi instaurado um inquérito civil para apurar as causas do acidente. A polícia aguarda os laudos do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal (IML). O motorista da caminhonete e familiares das vítimas ainda serão ouvidos.

O investigador Daniel Porfilho disse ao g1, no entanto, que até o momento não há nenhum indício de crime. Portanto, há uma tendência de que o caso seja arquivado após a apresentação do relatório ao Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Amor da adolescência

Os dois se conheceram na escola, estavam juntos desde a adolescência e moravam juntos há cerca de um ano. “Eles eram muito amados, eram um casal abençoado. Todo mundo amava. Sempre sorrindo, sempre ajudando, sempre dispostos a ajudar todo mundo', afirmou, emocionada, ao g1.

Abalada, Taiara contou que após a morte do pai de Mathias, o jovem passou a morar com a família da companheira. “Eu era como uma mãe para ele. A gente cuidou dele. Depois eles foram morar sozinhos há um ano e meio. No dia 2, eles casaram, que era o sonho dos dois', contou.

Carinhosos, batalhadores e cheios de sonhos

Em entrevista, a mãe relembrou o carinho da filha no dia a dia. “Todos os dias ela mandava mensagem: ‘mãe, te amo’. Na quarta-feira, a gente jantou junto. Ela foi embora falando: ‘tchau, mãe, te amo’. Era uma menina doce, carinhosa, nunca deu trabalho', disse.

Paola trabalhava no setor de RH de uma empresa e também fazia unhas para complementar a renda . Havia acabado de conquistar a carteira de motorista e era querida por todos, segundo a mãe. “Ela era independente, guerreira, amigável. Todo mundo amava ela', afirmou.

Já a mãe de Mathias, Marta Aparecida Cândido Ambrosini, de 55 anos, descreveu o filho como um jovem trabalhador e dedicado. “Meu filho é meu orgulho. Foi um jovem que nunca me deu trabalho, sempre conquistou as coisas dele com esforço, com um trabalho digno e honesto', disse.

Segundo ela, o jovem havia realizado recentemente o maior sonho da vida dele. “Ele realizou o sonho dele, que era casar, formar uma família. Fazia 21, 22 dias que ele tinha casado. Tinha muitos sonhos ainda', lamentou.

Marta contou que Mathias planejava abrir o próprio negócio . “Ele falava comigo que ainda ia me dar mais orgulho, porque queria construir a própria borracharia, o espaço dele', relembrou. A tia do rapaz, Aparecida de Lourdes Ambrosini dos Santos, de 64 anos, também falou sobre a relação próxima.

“O pai dele morreu há alguns anos e eu praticamente adotei ele. Os dois eram maravilhosos, batalhadores, muito queridos. A gente amava demais os dois. Estou muito abalada, é muita dor', disse.

O acidente

Paola estava no banco do passageiro e morreu no local. Mathias chegou a ser socorrido e encaminhado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

Segundo o boletim de ocorrência, o carro em que o casal estava seguia no sentido Jacutinga (MG) quando o motorista perdeu o controle da direção. O veículo rodou na pista e foi atingido na lateral por uma caminhonete que trafegava no sentido oposto.

O motorista da caminhonete sofreu apenas escoriações leves. Ele passou pelo teste do bafômetro, que apontou resultado negativo para ingestão de álcool. A perícia foi acionada para investigar as causas do acidente.

Homenagens

Paola trabalhava como manicure, e Mathias era funcionário de um centro automotivo no bairro Vila Bazani. Nas redes sociais, a empresa lamentou a morte do casal e descreveu o jovem como "uma pessoa de coração enorme, sempre prestativa, humilde e muito querida".

O fotógrafo responsável por registrar o casamento também prestou homenagem ao casal. Em publicação nas redes sociais, ele relembrou o clima da celebração e disse que, durante a festa, era possível ver "os sorrisos, os detalhes de um amor muito bonito".

"Eu sabia que estava registrando momentos que se tornariam lembranças eternas, mas não desse jeito", escreveu.

A igreja frequentada pela família de Paola, Assembleia de Deus Congregação Barão, também divulgou uma nota de pesar. "Mesmo em meio à dor da despedida, confiamos que Deus permanece no controle de todas as coisas", afirmou a instituição.

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