O HSBC Holdings, o maior banco da Europa, anunciou nesta terça-feira um plano estratégico para restaurar os lucros e o crescimento até 2017. Para isso, vai encerrar suas atividades no Brasil e na Turquia, o que reduzirá seus custos em entre US$ 4,5 bilhões e US$ 5 bilhões, e eliminar quase 50 mil postos de trabalho em todo o mundo.

A instituição afirmou que 25 mil empregos serão cortados na venda de suas operações no Brasil e na Turquia. Não está claro ainda o prazo de encerramento de atividades nos dois países tampouco as datas das demissões. No caso do Brasil, o HSBC só continuará funcionando para grandes corporações. De 20 mil a 25 mil postos em tempo integral, ou 10% de sua força de trabalho, serão cortados no restante do mundo. Só no Reino Unido, serão 8 mil vagas fechadas.

— Reconhecemos que o mundo mudou e precisamos mudar com ele — disse o diretor-presidente Stuart Gulliver. — Estou confiante que nossas ações vão permitir atingir nossas previsões de crescimento e aumentar o valor de nossas ações.

O plano de corte terá custo de US$ 4 bilhões a US$ 4,5 bilhões até 2017, segundo o comunicado do HSBC.

Fontes afirmam que o banco está negociando a venda de suas operações no Brasil com Bradesco, Santander e Itaú. O Bradesco teria mais facilidade de integrar os ativos e de obter aprovação do governo do que um banco estrangeiro como o Santander, que também fez uma oferta. Mas o espanhol Santander é o segundo banco mais provável de comprar o HSBC.

MAIS INVESTIMENTOS NA ÁSIA

O Bradesco estaria disposto a pagar em dinheiro, segundo as fontes. A compra, no entanto, não seria suficiente para o Bradesco passar o Itaú Unibanco em ativos. O HSBC é o sétimo maior banco do país em ativos, segundo dados dos balanços dos bancos. O Bradesco passaria a ter R$ 1,18 trilhão em ativos comparado com R$ 1,3 trilhão do Itaú. O Banco do Brasil é maior do país, com R$ 1,54 trilhão.

O Itaú também fez uma oferta, mas teria menos interesse por já ter o maior valor de mercado no Brasil. O Goldman Sachs Group coordena a venda. O HSBC tem 853 agências no Brasil e teve prejuízo de R$ 441 bilhões em 2014.

Procurados, o Bradesco, o HSBC e o Santander não comentaram o assunto. Já o Itaú disse que sempre avalia oportunidades “focadas no crescimento do banco no Brasil e na América Latina e na geração de valor aos acionistas”.

O HSBC pretende acelerar seus investimentos na Ásia, em particular no Sul da China e no Sudeste asiático, anunciou o banco em uma nota à Bolsa de Hong Kong.

O diretor-presidente quer restaurar a confiança dos investidores no banco após uma série de escândalos que atingiram a empresa e aumentaram os custos da companhia. Desde que assumiu, em 2011, ele anunciou o corte de mais de 87 mil empregos, a saída de 78 negócios e reduziu o número de países com operações de 88 para 73. O HSBC foi fundado 150 anos atrás em Hong Kong, quando o território ainda estava sob domínio britânico.

— O HSBC é um grande banco e está se movendo na direção certa — afirmou Chris White, do Premier Fund Managers. — E boa parte disso já era amplamente esperado.

Alguns meses após assumir a chefia do banco, Gulliver anunciou o corte de 30 mil vagas, com o objetivo de reduzir os custos em cerca de US$ 2,5 bilhões. Nas demissões anunciadas nesta terça-feira, 21 mil postos serão encerrados de olho no aumento das operações digitais, do processo de automação e do fechamento de agências, de acordo com o diretor-presidente.

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