Wagner Cordeiro Chagas *

Poucas cidades interioranas do Brasil têm a oportunidade de receber a visita do maior chefe da nação: o (a) presidente (a) da República. Na maioria dos casos a tarefa sempre fica a cargo de um assessor especial, que é responsável por transmitir a mensagem presidencial àquela população.

A antiga Vila Brasil, atual Fátima do Sul, teve essa oportunidade no dia 15 de setembro de 1963. Recebeu festivamente o presidente João Goulart (PTB), o Jango, que era vice-presidente até agosto de 1961 e acabou se tornando titular do cargo com a renúncia do polêmico presidente Jânio Quadros. Se bem que Vila Brasil não era um lugar sem destaque, era um dos mais importantes distritos de Dourados, oriundo da Colônia Agrícola Nacional de Dourados (CAND), colônia esta considerada a “menina dos olhos” de seu idealizador, o ex-presidente Getúlio Vargas. Entre 1965 e 1967, conforme a pesquisadora Claudia Capilé (1999), habitavam-na aproximadamente 63 mil pessoas, vindas de várias partes do país, principalmente do Nordeste.

A visita do presidente Jango se deu para a entrega dos tão aguardados títulos de posse das terras (em torno de 2 mil) aos colonos que para cá vieram em busca de oportunidades de uma vida melhor. Segundo a historiadora Suzana Arakaki (2008), antes de Jango vir à Vila Brasil ele passou em Dourados, onde o avião presidencial. O presidente desfilou em carreata pela Avenida Marcelino Pires, recebeu da Câmara Municipal o título de Cidadão Douradense e seguiu rumo à Vila Brasil, acompanhado do governador de Mato Grosso, Fernando Corrêa da Costa (UDN).

Ainda de acordo com Arakaki, em Vila Brasil o presidente teria sugerido à população deste distrito que se colocasse o nome de Getúlio Vargas, quando este fosse emancipado. No entanto, após a emancipação, ocorrida em 11 de dezembro de 1963, e a primeira eleição para prefeito, em 4 de abril de 1965, a cidade passou a se chamar Fátima do Sul, por meio de um plebiscito.

Em 1964, João Goulart foi deposto do poder por um golpe militar. O Brasil iniciou um longo período de 21 anos de ditadura que cerceou as liberdades, censurou a imprensa, prendeu e assassinou pessoas. Nessa fase, Fátima do Sul começou, aos poucos, de acordo com a pesquisa do professor Rafael Ramos (2014), ver sua população rural diminuir, já que muitos habitantes venderam seus lotes para agricultores que vinham principalmente da região Sul do Brasil, e partiram para cidades maiores, como Campo Grande. Por outro lado, os embates políticos por aqui continuaram (e continuam) pegando fogo nos vários pleitos eleitorais entre ARENA 1 e ARENA 2. O MDB até lançava candidatos a prefeito, mas os mesmos nunca conseguiram ter destaque. Surgiram por aqui figuras públicas que se destacaram na política estadual, como Londres Machado, Manfredo Alves Corrêa, Sergio Cruz e André Puccinelli.

No último dia 9 de julho, Fátima do Sul chegou aos seus 61 anos de fundação e 52 de emancipação. O município passou por muitas transformações. Além da perca de grande contingente populacional, como foi destacado acima, ao longo desses anos grandes empresas fecharam as portas por aqui. Cidades como Dourados e Campo Grande são locais onde se encontram muitos dos antigos moradores destas terras. Apesar desses problemas, a luta de sua população, aliada ao trabalho de todos os seus administradores fazem da antiga Vila Brasil um local para se batalhar pela construção de um país verdadeiramente democrático, com uma melhor distribuição das riquezas produzidas pelo nosso povo.

SALVE FÁTIMA DO SUL!   

  • Mestre em História pela UFGD, professor em Fátima do Sul e tutor á distância da EaD-UFGD. E-mail: [email protected]

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