O confronto por terra entre fazendeiros e indígenas no município de Antônio João, distante 341 quilômetros de Campo Grande já tem um índio morto e outro ferido. A polícia ainda está fazendo buscas pela região na expectativa de encontrar novas vítimas.

No final da tarde deste sábado (29), por volta das 17 horas, foi confirmada a primeira morte. Conforme lideranças indígenas a vítima é um dos líderes da tribo identificado como Semion Vilhava. Os policiais ainda não confirmaram a identidade da vítima.

Em nota, o governo do Estado informou que a perícia está no local, que a área foi isolada e tão logo os levantamentos sejam feitos o corpo será encaminhado para o Instituto Médico Legal de Ponta Porã, para exame necroscópico que irá indicar as causas da morte.

No texto o governo do Estado afirma estar acompanhando "de perto e com muita atenção o desenrolar dos fatos e todas as comunicações e providências necessárias estão sendo adotadas junto ao Governo Federal com o objetivo de evitar confrontos e assegurar os direitos".

Policiais da PMRE (Polícia Militar Rodoviária Estadual) disseram que os fazendeiros deixaram o local de conflito, porém a Polícia Militar da cidade disse que todas as partes ainda permanecem na Fazenda Fronteira.

Equipes da Força Nacional, DOF (Departamento de Operações de Fronteira) e a PMRE (Polícia Militar Rodoviária Estadual) reforçam o policiamento no local.Até segunda ordem as forças policiais do Estado permanecem na região, segundo divulgou o governo.

Crime

De acordo com policiais do DOF, o índio foi morto com um tiro na cabeça de um revolver calibre 22. Os indígenas disseram que a vítima levou três tiros na cabeça e não apenas um, como foi divulgado pelo policiais. 

A área reivindicada pelos indígenas, de 9.300 hectares é chamada de terra indígena Nhanderu Marangatu, e chegou a ser homologada em junho de 2005, pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, à época, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Nelson Jobim, anulou o ato, a pedido dos fazendeiros.

Índio bebia água quando foi morto em confronto com fazendeiros

 

A identificação do índio assassinado a tiro em confronto com fazendeiros pela disputa de terras, ontem (29), no município de Antônio João, foi confirmada pela Polícia Civil. Trata-se de Semião Fernandes Vilhalva, 24 anos, da etinia Guarani-Kaiowá. Segundo apurado por autoridades policiais, ele bebia água em córrego próximo da área quando foi atingido com um tiro na cabeça.

Consta em Boletim de Ocorrência, que Semião foi encontrado por outros indígenas, já morto, à margem do córrego onde havia ido beber água.

Peritos estiveram no local e encaminharam o corpo para o Instituto Médico Legal (IML) de Ponta Porã, para exame necroscópico. A vítima foi baleada com revólver, de calibre 22, cuja arma não foi apreendida e a polícia investiga autoria do crime.

CONFRONTO

Grupo de aproximadamente 100 fazendeiros foram à cidade na manhã de ontem, prometendo que desocupariam “na marra”, propriedades rurais que estão invadidas desde a semana passada.
Há informações de que produtores estariam armados e vestidos com coletes balísticos, assim como indígenas estavam com arco e flecha e espingardas.
Equipes da Força Nacional, do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) e Polícia Rodoviária Estadual (PRE) estiveram na região de confronto para tentar apaziguar a situação.

PROBLEMA ANTIGO

Há 10 anos, em 2005, o Governo Federal homologou parte das propriedades rurais da cidade como terra indígena. A partir daí, houve série de cobranças por parte dos índios para que a área fosse demarcada, no entanto, nada foi feito.

No final da semana passada, indígenas invadiram fazendas e fizeram famílias de produtores reféns. Na quarta-feira (26), o clima ficou ainda mais tenso e produtores rurais bloquearam estradas que dão acesso à cidade em forma de protesto. As rodovias foram liberadas durante a noite.

No dia seguinte, a situação era menos tensa na região, mas a invasão continuava e policiais do DOF fizeram a segurança para evitar confrontos entre indígenas e fazendeiros.

Amanhã(31), está previsto acontecer reunião entre representantes da Polícia Federal, Exército e forças de segurança estaduais para debater a questão.

* Com Midiamax e Correio do Estado

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