A Globo estreou na noite desta segunda-feira (31), a sua nova novela das nove, "A Regra do Jogo", de autoria de João Emanuel Carneiro e direção de Amora Mautner. A dupla também esteve à frente do último grande fenômeno do horário, "Avenida Brasil" (2012).   Logo de cara, uma surpresa. O primeiro capítulo foi nomeado de "A outra face", algo inédito em telenovelas, dando um ar de seriado.      "A Regra do Jogo" já mostrou a que veio. Sem querer inventar a roda, o autor provou porque é dono de quatro sucessos incontestáveis. O bem e o mal andando lado a lado, a boa fotografia (mérito da equipe de produção e direção) e cenas que requerem superprodução, como quando Romero Rômulo (Alexandre Nero) estava num banco tentando intermediar um assalto, com direito até a helicóptero.      Cena esta, aliás, com tomadas aéreas, carro-forte e uma perseguição policial de tirar o fôlego, algo não visto há algum tempo em produções do canal. A direção, mais uma vez, mostrou sua competência por conseguir executar um trabalho tão minucioso e verossímil.    A Regra do Jogo - Romero (Alexandre Nero) - Foto: Globo/Caiuá Franco   Caixa cênica   Muitos estavam curiosos para saber como seria no vídeo a famigerada "caixa cênica", desenvolvida pela diretora de núcleo, Amora Mautner, com inspiração em realities de confinamento como o "Big Brother Brasil". É nítida a liberdade dos atores e o realismo das cenas com as câmeras escondidas. Uma inovação que deu certo e certamente será tendência em produções futuras.   Herói ou vilão?   Romero Rômulo tem discurso de otimismo, mas nunca se sabe de qual lado ele está, falando uma coisa e fazendo outra. A atuação de Alexandre Nero não lembra em nada o seu último papel como o Comendador José Alfredo, em "Império", tamanha sua versatilidade e talento em interpretar o que tiver em mãos.   Marco Pigossi na pele do policial Dante também caiu como uma luva, com a seriedade que lhe é exigida e o sangue nos olhos de alguém sedento pela justiça que acredita. O elenco, de fato, foi escolhido a dedo.    Cinco motivos que podem fazer de A Regra do Jogo a nova Avenida Brasil   Arte   A abertura é um show à parte. As peças de xadrez simulando uma partida se destruindo ficou fantástica. A música "Juízo Final", de Alcione, casou bem, embora esteja um pouco acima do tom. No mais, o grafismo é de primeira linha.   A estrela     Giovanna Antonelli ratificou seu talento. Mocinha ou vilã, a atriz sempre convence. Desta vez, como a golpista Atena, ela certamente lançará tendências como sua risada debochada e sarcasmo, que logo vão ganhar memes na internet e torcedores na rede.   Vanessa Giácomo no papel da desesperada Tóia e Cauã Reymond como o ex-presidiário Juliano também merecem destaque, assim como Djanira, interpretada por Cássia Kis Magro.   O primeiro capítulo ficou focado nas histórias principais para o público não se embriagar de núcleos. Carneiro é inteligente e possui mais uma boa história para contar em mãos, sem outros autores principais para fazê-lo se perder e fugir daquilo que quer mostrar.   "A Regra do Jogo" dispensa comparações com sua antecessora. Isso sim pode ser considerado dramaturgia, ainda que tenha sido só o primeiro capítulo. No entanto, sem cautela, não é difícil de prever que o folhetim retomará o trilho das nove depois dos cacos deixados por "Babilônia".   Thiago Forato é jornalista, escreve sobre televisão há dez anos e assina a coluna Enfoque NT há quatro, além de matérias e reportagens especiais no NaTelinha. Converse com ele: [email protected]  |  Twitter: @tforatto

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