A Alemanha teria pagado US$ 250 mil (atualmente, o equivalente a R$ 965 mil) para sediar a Copa do Mundo de 2006, segundo o jornalista Andrew Jennings, que colaborou com o FBI nas investigações que levaram à prisão de integrantes da Fifa em maio deste ano. Autor de várias reportagens sobre a corrupção na Fifa e em outras organizações esportivas, Jennings fez a acusação em seu novo livro, que será lançado no dia 10 de setembro.

Jennings publicou um trecho inédito de "O Jogo Sujo: Desvendando o Escândalo da Fifa" no jornal Daily Mail, neste domingo (6). Nele, Jennings relata um que a Alemanha teria pago em 2000, através de um homem chamado Fedor Radmann, US$ 250 mil para que o neozelandês Charlie Dempsey, que votaria pela Confederação da Oceania, deixasse a eleição em caso de empate entre a África do Sul e a Alemanha.

Em 2000, Joseph Blatter, presidente da Fifa, estava preocupado com sua reeleição em 2002. Os dirigentes europeus, segundo Jennings, estariam irritados com Blatter pela forma como ele teria manipulado votos no pleito anterior. Uma forma de satisfazer então os países da UEFA seria dar a sede da Copa de 2006 para a Alemanha.

Porém, a África do Sul era tida como favorita entre os países que concorriam. Jennings explica que isso incomodava também Leo Kirch, bilionário alemão dono de canais de televisão. Neste trecho, o jornalista cita também o ex-jogador Franz Beckenbauer, então presidente do Bayern de Munique, e afirma que ele, Kirch e Radmann teriam criado o plano de organizar amistosos do time por altos valores de direitos de transmissão.

Quando o dia da votação para a sede de 2006 chegou, havia a expectativa de um empate entre a África do Sul e a Alemanha. O voto de desempate seria de Blatter, e ele já havia anunciado que, se isso ocorresse, escolheria a África do Sul. Segundo Jennnings, ele precisava ter feito essa promessa para manter o voto africano para sua reeleição em 2002.

Na primeira rodada de votos, a Inglaterra recebeu cinco votos; na segunda, Alemanha e África do Sul empataram com onze votos, e a Inglaterra, que teve dois, foi eliminada. Um dos votos da Inglaterra tinha sido de Charlie Dempsey. Mais uma rodada foi realizada, e dessa vez a Alemanha venceu, com 12 votos contra 11 da África do Sul. Isso porque uma pessoa não havia votado: Dempsey, que deixou a votação antes da nova etapa.

Jennings afirma que um rumor de que Radmann teria manipulado Dempsey logo se espalhou. O jornalista escreveu para o alemão, que afirmou não saber nada sobre o assunto, e insistiu que deveria ser outra pessoa com o mesmo nome.

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