Em fim de tarde de grande emoção, moradores de Fátima do Sul foram à praça central receber Carlos César Pereira Quirino, o jovem que doou 62% do fígado ao estudante Zeca Moreno Ferreira, filho do DR. José Durando, depois que tomou conhecimento que o repector sofria com uma doença grave e que somente o transplante poderia melhorar sua qualidade de vida. A cirurgia, de elevado risco, para retirar quase 70% do fígado do doador e, imediatamente, transplantar no receptor, ocorreu no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, deixando centenas de famílias de Fátima do Sul e de Vicentina em oração pela recuperação dos pacientes.

Poucos dias depois de doar 62% do fígado, Carlos César Pereira Quirino deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Sírio-Libanês e seguiu para o apartamento onde concluiu a recuperação. Na terça-feira, 29 de setembro, ele recebeu alta médica em São Paulo e retornou para Fátima do Sul, ao lado da esposa Hellen, onde foi recebido com festa pelos familiares dele e do médico José Durando Ferreira e de Eliza Ferreira, pais do receptor Zeca Moreno.

A chegada de Carlinhos foi marcada pela emoção dos amigos e familiares, que enxergaram no gesto dele um ato de amor ao próximo. De humildade e caridade sem limites, Carlos César Pereira Quirino afirmou que estava feliz em poder ajudar o próximo e garantiu que, se fosse preciso, faria tudo novamente para que o amigo Zeca Moreno pudesse ter mais qualidade de vida.

As pessoas que foram à praça receberam Carlos César Pereira Quirino com faixas e cartazes de agradecimento não apenas por ter contribuído com a vida de Zeca Moreno, mas, sobretudo, pelo desprendimento do doador em se oferecer para o transplante intervivo, mesmo sabendo que o procedimento seria de elevado risco. “Não tenho como agradecer o que o Carlinhos fez pelo meu filho, mas posso garantir que desde o momento em que ele se apresentou de forma voluntária como doador, eu estava ganhando num novo integrante na família”, enfatizou por telefone o médico José Durando Ferreira, que segue em São Paulo acompanhando a recuperação de Zeca Moreno, que continua internado no Hospital Sírio Libanês.

A mãe de Zeca Moreno, Eliza Ferreira, afirma que Carlinhos foi um anjo que Deus colocou na vida da família. “Nunca perdemos a fé que tudo iria se resolver, mas ficamos profundamente felizes quando o doador se apresentou com tanta fé, voluntariedade e amor”, revela Eliza. “Graças a Deus, a cirurgia foi um sucesso tanto para o Carlinhos quanto para o Zeca Moreno, que agora têm um laço de amizade ainda mais estreitos e estarão cada vez mais presentes nas nossas vidas”, completou Eliza Ferreira.

Os médicos do Grupo de Hepatologia e Transplante de Fígado do Hospital Sírio-Libanês também ficaram surpresos tanto com a recuperação de Carlinhos quanto de Zeca Moreno. Agora, a equipe está acompanhando o cotidiano do receptor, reduzindo a dosagem dos medicamentos e monitorando essa fase de adaptação do organismo ao novo órgão. “Em breve, voltaremos para casa onde poderemos comemorar com os amigos e familiares de Fátima do Sul essa importante bênção”, celebra Eliza Ferreira.

Familiares de Carlos César Pereira Quirino cumprimentam o jovem pelo ato de doar parte do seu fígado para o estudante Zeca Moreno.  (Foto: Marcos Santos)

Transplante

O transplante intervivo foi realizado depois que a juíza Rosângela Alves de Lima Fávero, da 2ª Vara Cível da Comarca de Fátima do Sul, atendeu pedido do doador e concedeu alvará judicial que foi apresentado aos médicos do Grupo de Hepatologia e Transplante de Fígado do Hospital Sírio-Libanês.

O transplante intervivo é amparado pelo Decreto 879/93, que regulamenta a Lei 8.489/92, sobretudo em seu Art. 4º que preconiza: o transplante será realizado sempre que não existir outro meio de prolongamento, ou melhora na qualidade de vida e saúde do indivíduo.

Ao mesmo tempo, o parágrafo 3º do Art. 9º da Lei nº 9.434/1997, é taxativo: só é permitida à pessoa juridicamente capaz dispor gratuitamente de tecidos, órgãos e partes do próprio corpo vivo, para fins terapêuticos ou para transplantes quando se tratar de órgãos duplos, de partes de órgãos, tecidos ou partes do corpo cuja retirada não impeça o organismo do doador de continuar vivendo sem risco para a sua integridade.

Prefeito Júnior Vasconcelos cumprimenta Carlos César Pereira Quirino no retorno dele à Fátima do Sul, após doar parte do fígado. (Foto: Marcos Santos)

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