Aos 100 anos de idade, Valentim é o mais velho a ser levado pela covid-19 em MS

Falecido em 10 de julho último, o idoso teve dez filhos e segundo um deles, era forte e ativo, não aparentando a idade que tinha

| LUCIA MOREL / CAMPO GRANDE NEWS


Valentim deu adeus no último dia 10 de julho. (Foto: Arquivo Familiar)

Cem anos! Poucas pessoas alcançam idade tão avançada com saúde e vigor. Mas é o que relata filho do idoso Valentim Lopes, que faleceu no último dia 10 de julho, de covid-19, em Ponta Porã, a 315 Km de Campo Grande.

Magno da Silva Lopes, de 50, afirma que o pai era não aparentava a idade que tinha diante do vigor que apresentava, apesar dos anos avançados. No entanto, sem saber como, o idoso acabou contraindo a doença, passou mal e faleceu há dois dias.

De família humilde, mas trabalhadora, Valentim foi serviços gerais por anos e com esse trabalho sustentou a família, de dez filhos. Magno conta que o pai era incansável e ainda ativo, andava pelo jardim da casa e conversava muito.

Ele conta ainda que não faz ideia de onde o pai pode ter sido contaminado com covid-19, já que não saía de casa e por isso, não acredita que tenha sido a doença a causadora da morte do idoso. “Eles falaram que foi, mas que era suspeito e depois que tinha morrido dessa covid. Eu não acredito', afirma.

Ainda assim, diz que no dia 6 de julho, Valentim começou a apresentar alguns sintomas, como febre e no dia seguinte, dores no peito e a família procurou a assistência social do município, já que são de baixa renda.

No Cras (Centro de Referência de Assistência Social), a indicação foi de irem diretamente ao Hospital Regional da cidade, onde já ficou internado. “Nem pude mais ver meu pai', contou Magno, que lamentou inclusive ter que acompanhar o enterro à distância.

Segundo ele, o teste foi feito no dia em que ele foi internado, mas não afirmaram a ele que seria covid, apenas suspeita. Mesmo assim, no dia da morte, a afirmação foi de que Valentim havia falecido da doença.

Nascido em 14 de fevereiro de 1920, o idoso teve falta de ar no dia em que foi internado e segundo Magno, já ficou no hospital porque a situação era mais grave do que parecia.

Na sexta, dia em que Valentim faleceu, Magno disse que foi ao hospital por volta das 17 horas, saber como o pai estava e disseram que o quadro estava ok, sem alterações. Horas depois, à meia-noite, o telefone tocou e o avisaram do falecimento.

Para o filho, apesar do pai já estar de idade, a falta é grande, principalmente porque foi ele quem cuidou de Valentim desde que ficou viúvo, em 1996. “Minha mãe faleceu em 96 e fui eu quem cuidei dele até agora'.

A lembrança mais forte que fica, segundo Magno, é de um pai que o amava. “A lembrança mais bonita é que ele sempre foi muito amarrado comigo. Ele escolheu ficar aqui comigo quando minha mãe morreu e por isso, a gente sente falta né?'.

Valentim foi a 160ª vítima de covid-19 em Mato Grosso do Sul, que até este domingo, 12 de julho, tem 161 óbitos decorrentes da doença.

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