Pesquisadores alertam para aumento de casos de coronavírus na microrregião de Dourados
| DOURADOSNEWS / JESSICA BEATRIZ
Um estudo elaborado por pesquisadores da UFOB (Universidade Federal do Oeste da Bahia) e da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) aponta para um possível aumento de casos de coronavírus nas microrregiões de Dourados, Nova Andradina e Aquidauana, nos próximos 14 dias, em razão das aglomerações no feriado da Independência.
A análise foi realizada a partir dos dados divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde, no período de 22 de agosto a 05 de setembro.
Dentro do estudo são destacadas as dinâmicas geoespaciais entre os municípios e a ausência de políticas efetivas de enfrentamento da doença com foco no distanciamento social. Especificamente em Dourados, até o boletim divulgado pelo Comitê de Gerenciamento de Crise do Coronavírus, na quarta-feira (09), o total de infectados havia chegado 6.158, desses, 84 não resistiram e morreram.
“Os aumentos nas dinâmicas geoespaciais interferem significativamente no aumento da velocidade de disseminação do novo coronavírus, o que nos mantêm na situação pandêmica. Não será possível preservar vidas, o sistema público de saúde, garantir recursos financeiros para os hospitais particulares e conter a pandemia simultaneamente. Para conter a Covid-19 se fazem necessárias medidas preventivas de fato”, alertou o especialista em Geografia da Saúde e professor da UFGD Archanjo da Mota.
De acordo com o estudo, no período analisado, dos 33 municípios que compõem a macrorregião de saúde de Dourados, 14 registraram aumento nos índices de morbimortalidade da Covid-19. Desse total, sete municípios tiveram aumento nos níveis de alerta, conforme o Mapa 1: na microrregião de saúde de Dourados, Rio Brilhante e Fátima do Sul passaram do nível 2 para 3 e Dourados subiu do nível 3 para o 4, aumento significativo do índice foi registrado em Caarapó, embora tenha se mantido no nível de alerta 2.
“Ao registrar 31 mortes e 1887 novos casos de Covid-19 em apenas 14 dias [22 de agosto a 05 de setembro] a macrorregião de saúde de Dourados retorna a um patamar de disseminação que já era evidente que iria ocorrer. Poucas ações foram tomadas e de forma tímida foram implementadas e fiscalizadas pelas autoridades sanitárias. Não há milagres em Saúde Coletiva, não se combate uma pandemia com estratégias de curtoprazismos”, avaliou Archanjo.
Após o feriado do dia da Independência e o relaxamento das medidas de distanciamento social, a análise alerta para as consequências, “Considerando tudo isso, teremos impactos bastante negativos para a saúde pública e coletiva daqui a 14 dias. Outubro também irá refletir o descuido das pessoas em relação à saúde da coletividade e a ausência do poder público na contenção à doença”, finalizou Fernanda Vasques Ferreira, uma das pesquisadoras.
Conforme informado pelo Dourados News, na primeira semana de setembro, a média móvel de confirmações de casos de coronavírus dobrou em comparação com o mesmo período do mês passado. Enquanto nos primeiros dias do mês de agosto taxa esteve em 30,8, nestes sete primeiros dias de setembro a média fechou em 67,8.
Nova Andradina e Aquidauana
De acordo com o estudo desenvolvido pelas Universidades, na microrregião de Nova Andradina, Ivinhema passou do nível 2 para 3, Batayporã e Nova Andradina passaram do nível 1 para o nível 2. Já o município de Aquidauana se manteve estável tanto no nível de alerta (nível 4) quanto na taxa de letalidade (2,84).
Situação do coronavírus em MS
De acordo com o boletim divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), na quarta-feira (10), Mato Grosso do Sul chegou a 55.345 mil casos de coronavírus, desses, 45.830 eram considerados recuperados e 8.029 estavam em isolamento domiciliar. Além disso, 486 permaneciam hospitalizados, 248 em leitos clínicos e 238 em UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Outras 1.007 pessoas morreram em decorrência da doença.
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