Protesto contra Bolsonaro reúne centenas de carros, mesmo com bloqueio da Guarda

Com base em liminar de 2020, carreata chegou a ser impedida, mas acabou seguindo pela Avenida Afonso Pena pedindo impeachment

| SILVIA FRIAS E LINIKER RIBEIRO / CAMPO GRANDE NEWS


Carros na Avenida Afonso Pena, pouco depois do início da carreta (Foto: Henrique Kawaminami)

Menos de uma semana depois, manifestantes voltaram às ruas de Campo Grande para pedir o impeachment do presidente da República, Jair Bolsonaro. A carreta iniciou nos altos da Avenida Afonso Pena e, por cerca de 30 minutos, chegou a ser impedida de começar por bloqueio da Guarda Civil Municipal.

A concentração começou por volta das 10h, em frente à Cidade do Natal, no sentido Parque dos Poderes e deveria ter saído às 11h, quando o comboio era formado pelo trio elétrico e de 300 a 400 veículos.

A intenção era fazer o retorno para seguir com destino ao centro da cidade, mas, depois que condutores fizeram o contorno, se depararam com o bloqueio.

A justificativa para o bloqueio foi decisão, em caráter liminar, do TJ-MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), de março de 2020, que havia impedido passeatas e carretas para evitar aglomerações no período da pandemia da covid-19.

A situação causou debate entre manifestantes e guardas municipais. A vereadora Camila Jara (PT), uma das organizadoras do protesto, argumentou que a liminar é de 2020 e que já teria caducado. Além disso, carretas foram realizadas, de forma legal, durante a campanha eleitoral este ano.

O debate durou cerca de 30 minutos e, depois disso, a carreta pode ser iniciada. Segundo

os organizadores, o itinerário previsto é seguir pela avenida Afonso Pena até a rua Pe. João Crippa e continuar pelas rua Maracaju, avenida Calógeras e voltar para Afonso Pena, terminando na Praça Ary Coelho.

O presidente da CUT-MS (Central Única dos Trabalhadores de MS), Vilson Gimenez Gregório, disse que a intenção é que cerca de 800 carros formem o comboio até o fim da manifestação, o que seria o dobro da participação do último domingo (17).

O foco do protesto é o impeachment do presidente Jair Bolsonaro, a quem os manifestantes atribuem conduta incompetente na condução do combate à covid-19 o Brasil. “Não dá para ficar como está, são mais de 200 mil mortes, falta vacina, esse movimento é espontâneo para mostrar a insatisfação'.

A professora Leinad Veneza também criticou a falta de planejamento para cobrir os grupos prioritários e incluir os profissionais da Educação. “O país estaria vivendo situação melhor, se não fosse descaso do governo; no mínimo, teria que ter preocupação com a sociedade inteira, mas a gente não vê ele fazendo nada, só falas desnecessárias'.

Municiada de panela, a advogada Gisele Marques, gritava “Fora Bolsonaro', enquanto aguardava o início da carreata. “A intenção é derrubar quem está desdirigindo o País'. A poetisa Narinha Lee disse que a participação no protesto simboliza a insatisfação com o que classifica como descaso do governo. “Mais dois anos desse cara e o Brasil não será ada, ele está acabando com o País'.

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