Acusado de tramar morte diz que tio era traficante e cheio de amantes

Polícia suspeita que Sauro Teixeira matou o tio para não pagar carreta bitrem de R$ 380 mil

| HELIO DE FREITAS, DE DOURADOS / CAMPO GRANDE NEWS


Sauro Teixeira da Silva está preso, mas nega assassinato do tio-avô (Foto: Reprodução)

Sauro Henrique Teixeira da Silva, 28, está preso há quase uma semana, mas continua negando envolvimento no assassinato do tio-avô Veríssimo Coelho dos Santos, 61, ocorrido há exatos sete dias em Dourados, a 233 km de Campo Grande.

Preso ainda em situação de flagrante na tarde do dia seguinte ao crime em sua chácara na sitioca Campina Verde (a 500 metros do local onde o corpo de Veríssimo foi encontrado dentro da caminhonete dele, uma Silverado branca), Sauro afirmou que considerava o tio-avô como seu pai e que os dois se ajudavam mutuamente.

Entretanto, no depoimento que prestou à Polícia Civil no dia em que foi preso, ele tentou despistar os investigadores acusando o tio de envolvimento com o tráfico de drogas e de ter várias amantes, uma delas casada. Teria sido para encontrar essa mulher que Veríssimo havia saído da chácara de Sauro na noite de 31 de março, segundo a versão do acusado.

No interrogatório feito pelo delegado Erasmo Cubas, chefe do SIG (Setor de Investigações Gerais), Sauro disse que na tarde do dia 31 tinha dado carona a Veríssimo de um posto de combustíveis na BR-163 até a chácara na Campina Verde, onde tomaram cerveja e assaram carne.

Sauro disse que no período em que estava no local, o tio-avô recebeu ligação de uma mulher do Paraná, que seria uma de suas amantes. A mulher teria ameaçado Veríssimo para que ele depositasse dinheiro para ela.

Logo em, seguida, ainda segundo a versão do sobrinho da vítima, Veríssimo saiu da chácara para encontrar outra amante, casada, cujo marido já teria “dado um carreirão' nele. Sauro disse que só no outro dia ficou sabendo através de ligação da companheira que o tio tinha sido assassinado.

Tráfico – Sauro Teixeira também acusou o tio de carregar droga nos caminhões que dirigia e disse que Veríssimo o chamava para o serviço, mas ele sempre recusou a oferta. Justificou ainda que um comparsa do tio no tráfico, conhecido como Ramão, estaria pressionando Veríssimo por motivo desconhecido.

Para a polícia, no entanto, a história foi inventada por Sauro para tentar enganar os investigadores com pistas falsas sobre outros suspeitos. A investigação mostrou até agora que ele teria tramado a morte do tio-avô por desacertos nos negócios.

A carreta bitrem Volvo pertencente a Veríssimo tinha sido transferida recentemente para a empresa de Sauro. O sobrinho suspeito afirma que comprou a carreta do tio-avô por R$ 380 mil em dinheiro vivo.

Ele disse que pagou R$ 340 mil de entrada e mais R$ 40 mil depois, mas não há registro do negócio. A família de Veríssimo também desconhece a transação e o destino do suposto pagamento. A Volvo vermelha está apreendida.

Celular – Outro fato bastante suspeito foi o suposto acidente envolvendo o celular de Sauro. Ele disse que no dia 1º de abril, ainda sem saber que o tio havia sido assassinado, viajou para o município de Rio Brilhante para tratar da venda de bois com outra pessoa e durante o deslocamento um caminhão teria passado sobre seu celular. A polícia aprendeu o aparelho quebrado e requisitou autorização judicial para perícia.

Na semana passada, dois advogados pediram o relaxamento da prisão preventiva de Sauro Teixeira alegando falta de prova da ligação dele com o crime. A defesa rebateu também o flagrante alegando que Sauro não estava sendo perseguido e foi preso em sua chácara quando se preparava para comparecer à delegacia. O pedido foi negado e a Justiça transformou a prisão em flagrante em preventiva (sem prazo definido).

Ontem à noite, o SIG prendeu outro envolvido no assassinato. Gustavo Rodrigues de Souza, 19, confessou ter fornecido a Sauro a pistola calibre 380 usada no crime.

A polícia ainda não informou se Gustavo só forneceu a arma ou se teve participação direta no homicídio, já que ainda não foi oficialmente interrogado no inquérito do assassinato. A pistola foi apreendida na casa dele no Jardim Canaã IV, onde Gustavo e a mulher (também presa) vendiam maconha e pasta-base de cocaína.

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