Da aclamação à insensatez
| ANTôNIO CARLOS SIUFI HINDO - PROMOTOR DE JUSTIçA APOSENTADO
Estamos em plena Semana Santa, tempo de reflexão e de perdão. Dentro desse contexto auspicioso, temos também o grande convite para a nossa paz interior e a reconciliação com a nossa consciência castigada com tantos gestos de indisciplina e deselegância em nosso convívio social e de comportamento com os preceitos estabelecidos pelo nosso Criador.
O Domingo de Ramos, que deveria assinalar o símbolo da nossa gratidão àquele que entrou nas ruas de Jerusalém oferecendo a paz, o amor e o perdão, como forma de garantir a vida eterna para uma humanidade errante, teve uma interpretação distorcida da realidade divina. Os homens não souberam interpretar a ação divina com a clarividência que se fazia necessária. Privilegiou em oferecer a sua voz e o seu voto para um desfecho trágico. Recheado de humilhação.
Todos os que os aplaudiram entusiasticamente se constituíram naqueles próprios que os levaram ao cadafalso. Sim, porque no coração de cada um daqueles convivas da grande festa religiosa estava enraizada o estigma maldito da inveja, da discórdia, da desavença. Os fatos inseridos no texto sagrado robustecem esse entendimento corajosamente assumido porque assistiram as suas pregações, testemunharam os milagres produzidos e muitos caminharam ao seu lado, oferecendo a traição e a incredulidade como ações nefastas dos que sabem conspirar.
Esses mesmos que ovacionaram em Jerusalém o Cristo, o filho do Deus vivo, o único que quita o pecado do mundo e nos oferece a verdade da vida eterna, continuam andando ao nosso lado nos dias que correm. São insanos, abomináveis, destruidores das famílias, fomentadores da ganância, incentivadores dos atos espúrios. Vendem os filhos, maltratam e seviciam as crianças, destruindo com o tentáculo da sua perversidade os lares e a família sempre sagrada para os olhares da vida cristã.
Mas as figuras desses insensatos não se cingem apenas a esses campos de atuação. Entram em ação nos mais diversificados campos de atuação outros atores igualmente perversos. Eles estão incrustados nas igrejas, nas sinagogas, nos tribunais, nas casas legislativas, nos gabinetes de governantes corruptos e ladrões que lesam os seus patrícios, e também os remetem a viver no próprio inferno, em vida.
Os gananciosos pelo dinheiro são os que vendem esse retrato de horror. São mestres a ditarem as regras da roubalheira explícita. Todos os seus atores têm as suas defesas prontas e todos tentam convencer os incautos da insensatez e desgraça que produzem. Não conhecem a força do arrependimento, não sabem da importância de um pedido de desculpas, desprezam a força do perdão divino. Teimam em desafiar as coisas incertas, erradas e reprováveis com ações que guardam integral consonância com o seu cinismo desmedido.
E mesmo nesse contexto de absoluta miséria humana, o nosso Criador não desiste da sua criatura frágil e pecadora. Trata-se de um Deus de bondade e de um amor que engrandece a nossa existência para guardarmos a nossa própria semelhança com Ele. Os ensinamentos do Cristo são fontes de água viva e continuam sendo o nosso farol para transpormos os momentos de aflição, infortúnio e loucura porque está sempre pronto para uma conversa amistosa e amigável e voltada para o perdão.
Seus ensinamentos nos levam a viver em paz com a nossa consciência. Enobrece o nosso comportamento social, exalta os bons princípios da civilidade. Não pode existir nada melhor do que essa recomendação como reflexo maior de que somos passageiros nesta vida terrena e que daqui não vamos levar absolutamente nada do que conseguimos produzir.
A morte na cruz de Cristo é a grande reflexão que precisamos guardar no curso da nossa existência. A sua vitória sobre a morte e o seu legado de vida eterna consubstanciado pela Páscoa precisa ser entendido como seu paradigma maior. Desse entendimento sagrado podemos afiançar em outra vertente que o seu sorriso largo, bem como o seu desejo de nascer sempre fortalecido em nossos corações todos os dias da nossa existência resulta em verdadeiro corolário. De tudo isso reduzido a termo, salta a maior de todas as verdades. Somente você, leitor, salva você próprio, mais ninguém!
ANTÔNIO CARLOS SIUFI HINDO - PROMOTOR DE JUSTIÇA APOSENTADO
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