Infarto e AVC preocupam mais que síndromes respiratórias no inverno, alerta secretária de saúde
Alta de casos preocupa devido ao risco de superlotação nas unidades de saúde de Campo Grande
| MIDIAMAX/LETHYCIA ANJOS, MURILO MEDEIROS
Com a chegada do inverno, Campo Grande tem registrado quedas bruscas de temperatura, com sensação térmica marcando -6 °C. Embora o frio favoreça o aumento de doenças respiratórias, a atual preocupação da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) é o crescimento dos casos de infarto e AVC (Acidente Vascular Cerebral), que têm contribuído para a lotação das unidades de saúde.
Secretária municipal de Saúde, Rosana Leite, afirma que, ao contrário do registrado em estados como Paraná e São Paulo, Campo Grande apresenta uma desaceleração nos casos de síndromes respiratórias, como gripe, bronquite e asma. Ainda assim, ela destaca que o frio intenso contribui para o agravamento de outras condições clínicas, especialmente cardiovasculares.
“Estamos ainda sob vigência do decreto emergencial. Apesar do frio, que naturalmente aumenta os casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), o número de ocorrências tem se mantido relativamente estável', afirma.
Em contrapartida, a Sesau tem observado um aumento expressivo de casos infarto e AVC, que também estão relacionados às baixas temperaturas. Conforme a secretária, essa situação é agravada pela escassez de leitos hospitalares, o que tem levado pacientes a permanecerem internados em UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e CRSs (Centros Regionais de Saúde).
“Ainda enfrentamos uma ocupação de leitos próxima de 100%. Nesta madrugada, tivemos três pacientes que precisaram de acomodação na unidade de saúde, com todos os cuidados necessários, devido à superlotação dos hospitais. Mantê-los na UPA, com acompanhamento adequado, foi a alternativa mais segura diante do cenário atual', relatou.
Vacinação segue como prioridade
Em relação às medidas emergenciais, Rosana reforça que a vacinação continua sendo a principal estratégia de enfrentamento às doenças respiratórias. A maioria dos casos graves, segundo ela, está associada ao vírus Influenza A.
“Nós temos a vacina, que é uma ferramenta eficaz no combate ao vírus. Por isso, reiteramos a importância da vacinação. Quem se vacina hoje, em 15 dias já estará protegido contra formas graves da doença', enfatiza.
Os dados reforçam a importância da imunização. Campo Grande registra uma das maiores taxas de letalidade por Influenza do Estado, com 319 casos confirmados (sendo 314 por Influenza A e 5 por Influenza B), 52 evoluíram para óbito, o que representa uma taxa de aproximadamente 16,3%.
Além disso, segundo boletim da CIEVS (Coordenadoria de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde), o município já soma 155 óbitos por SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) em 2025.
Desse total, 50 decorreram de Influenza, 13 por vírus sincicial respiratório, 11 por rinovírus, 10 por Covid-19, 5 por outros vírus e 65 não tiveram agente causador especificado. Embora a maioria dos casos ocorra em crianças, a letalidade é maior entre idosos com 70 anos ou mais. Campo Grande contabiliza ainda 2.014 notificações de SRAG.
Risco aumentado de infarto e AVC
Médica pneumologista, Amanda Almirão Alves explica que o frio intenso pode agravar condições crônicas, principalmente em idosos e pessoas com histórico de doenças cardiovasculares, pulmonares, renais, vasculares ou neurológicas.
“Durante o frio, a pressão arterial pode aumentar, elevando o risco de infarto e AVC. Também há maior probabilidade de descompensação de doenças pulmonares como asma e DPOC [Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica]. Além disso, o aumento das síndromes gripais pode levar a complicações como sinusite e pneumonia', alerta a médica.
Por isso, a médica ressalta a importância de estar atento a sinais de alerta como dor no peito, falta de ar, dor de cabeça, confusão mental, fraqueza, mal-estar generalizado, redução da mobilidade e dores no corpo.
Entre os riscos mais graves associados ao frio intenso está a hipotermia. Conforme o Ministério da Saúde, essa condição ocorre quando a temperatura corporal cai abaixo de 35 °C e pode ser fatal, especialmente em situações de exposição prolongada ao vento e à umidade. Os principais sintomas incluem tremores intensos, palidez e extremidades frias.
Além disso, o frio acaba por fazer vasoconstrição aumentando a força que o coração precisa fazer para mandar sangue para o corpo e também aumentando a pressão. Assim, o sangue pode ficar mais espesso e bloquear o fluxo sanguíneo para corpo.
“O frio pode diminuir a oxigenação. Aqueles que tem doenças pré-existentes podem ter a piora delas devido a essas alterações que o corpo faz para poder manter a temperatura adequada', diz Amanda.
Recomendações para enfrentar o frio
A Defesa Civil orienta cuidados básicos, mas fundamentais, para evitar complicações durante os dias mais frios:
- Hidratação: beba bastante água, mesmo sem sentir sede. Evite álcool, que favorece a perda de calor corporal.
- Agasalhos em camadas: use roupas adequadas, como casacos, gorros, luvas e meias de lã.
- Cuidados com aquecedores: utilize aparelhos em bom estado e garanta ventilação para evitar intoxicação por monóxido de carbono.
- Atividade física leve: mantenha o corpo ativo, mesmo dentro de casa.
- Evite sair sem necessidade: limite a exposição ao frio, sobretudo entre os mais frágeis.
- Proteja a pele: use hidratantes para evitar o ressecamento e as rachaduras.
Os idosos representam o grupo mais vulnerável para doenças respiratórias, conforme a SES, 48,7% das internações ocorreram nessa faixa etária, e 79,4% dos casos evoluíram para óbito. Crianças de 1 a 9 anos também foram bastante afetadas, concentrando 26,8% das internações por SRAG.
Outras orientações para evitar problemas de saúde incluem:
- Lavar as mãos com frequência;
- Evitar locais fechados e malventilados;
- Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar;
- Manter alimentação saudável e praticar exercícios;
- Evitar o fumo.
Em caso de sintomas como febre alta, tosse com secreção, falta de ar ou dor no peito, é essencial procurar atendimento médico imediatamente.
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