Forte e selvagem, o melhor perfume que o MS já aspirou
| MáRIO SéRGIO LORENZETTO
Até por volta dos anos 1.930, o Mato Grosso do Sul inalava um dos melhores perfumes que o mundo já aspirou. A história conta que foi criado por um perfumista, de altíssima competência, que vivia em alguma aldeia indígena nas proximidades de Miranda. Dessa região, sua fórmula química, e técnica de fabrico, migrou para outros locais do Estado.
A composição química do melhor perfume do MS.
Em nossas matas sempre existiu uma madeira conhecida como “canela sassafrás' que, quando serrada, perfumava a ferramenta, fosse machado ou facão. Um aroma suave, agradabilíssimo. A tecnologia indígena preferia usar o pó de canela sassafrás, era um tanto melhor. Mas também usavam cortá-la em pequeníssimas tiras, do tamanho de um grão de arroz, triturada só com o toque dos dedos limpos para não prejudicar o perfume. Esses grãozinhos de madeira eram metidas em um garrafão, contendo certa quantidade de álcool puro. Logo em seguida, o recipiente recebia muitas mãos de flor de guavira que tinham de ser apanhadas, obrigatoriamente, antes do sol nascer.
A técnica do perfume de guavira.
O garrafão era então enterrado, isto após sacolejá-lo violentamente. Durante um mês o garrafão permanecia dentro da terra. O buraco onde estava enterrado o garrafão recebia diariamente pequena quantidade de água, para que a vasilha não sofresse a ação deletéria do calor excessivo, típico de nosso Estado. Vencido o tempo, o garrafão era retirado do buraco. Depois de bem lavado, novo sacolejamento em todos os sentidos. Findo este, que era exaustivo, vinha a fase do abrir e coar.
Catando algodão-do-brejo.
Quem não tem cão caça até com galinha . Naquele tempo não existia algodão industrializado. Catavam algodão-do-brejo, também denominado algodão-bravo ou vinagreira que era encontrado em qualquer região meio alagada. Com esse algodão, faziam uma espécie de peneira, de filtro, usando quatro pedaços de pau , amarrados, formando um quadradinho, e pano limpo. Era nele que o perfume seria filtrado. Uma operação que levava horas. O único problema era que o perfume só podia ser produzido na época festiva da guavira. O cheiro era aprazível, um tanto grosso, mas de um aroma selvagem e forte, que durava uma semana para sair da pele.
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