Exilada do Pantanal, onça-pintada que matou Jorginho não ficou mansa; veja como ela está 1 ano após ataque
Onça se adaptou muito bem ao cativeiro e nem parece o animal mirradinho que deixou o Pantanal
| MIDIAMAX
Há um ano, no dia 21 de abril de 2025, Mato Grosso do Sul e o Brasil ficavam chocados com a morte do caseiro Jorge Ávalo, de 60 anos, que foi devorado por uma onça-pintada na região conhecida como Pantanal do Touro Morto, às margens do Rio Aquidauana, em Mato Grosso do Sul. Isso porque ataques deste felino a seres humanos são ocorrências extremamente raras no Brasil.
O ocorrido gerou debates sobre o destino da onça e a motivação do felino para atacar um ser humano. O espécime, um macho, batizado como “Irapuã”, foi capturado três dias após o ataque, no dia 24 de abril de 2025.
O animal estava magro, apático, debilitado e com possível quadro de desnutrição. Após o resgate, Irapuã ficou 21 dias em reabilitação no Cras (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) em Campo Grande. Posteriormente, ele foi transferido para o Instituto Ampara Animal, localizado na cidade de Amparo, em São Paulo, onde vive atualmente.
Agora, um ano depois da tragédia, como está a onça-pintada Irapuã? Em entrevista exclusiva ao Jornal Midiamax, o veterinário e responsável técnico pelo mantenedor de fauna do Ampara Animal, Jorge Salomão, compartilhou como está sendo o período adaptação do felino ao cativeiro.
Segundo Jorge, a onça se adaptou muito bem ao cativeiro e nem parece aquele espécime ‘mirradinho’ que chegou ao Instituto.
“A onça está superbem. Voltou a ganhar peso e já ganhou bastante peso. Não está manso, mas já acostumou com a gente, com o manejo”, explicou.
Por ter atacado um ser humano, a preocupação era de que o animal voltasse a avançar nas pessoas. No entanto, de acordo com o Jorge, isso não aconteceu, e Irapuã está completamente adaptado à nova morada.
“Ele já se adaptou, está responsivo ao cativeiro. Ele fica tranquilo. Não tem alteração comportamental, não tem estresse nenhum. Fica supersossegado, já está bem melhor.”
Vida solitária
Entretanto, a onça ainda não tem contato com outros felinos da mesma espécie. Atualmente, Irapuã está aproveitando um recinto só dele. Mas, por existirem outros animais no local, ele consegue ouvir e sentir os cheiros do demais.
O responsável técnico afirmou que a tendência é de que ele seja reinserido socialmente. Contudo, ainda não tem data para isso acontecer.
Volta à natureza?
Conforme explicou Salomão, Irapuã não deve voltar à vida livre. Agora, ele faz parte de um projeto de conservação e sua reinserção não é mais possível.
“A ideia é ele não voltar à natureza. Hoje, ele faz parte do programa de conservação Recinto da Onça-pintada, então está seguindo as diretrizes do programa, que direciona o que vai fazer, o que não vai, onde ele fica, com quem fica. Mas não volta para a vida livre? Não”, finalizou Jorge Salomão.
Motivação do ataque?
À época da morte de Jorge Ávalo, muito se questionou sobre os motivos pelos quais levaram a onça a devorar o caseiro, especialmente depois que outro animal da mesma espécie atacou o peão Flávio Ricardo, também na região do Pantanal de Mato Grosso do Sul.
Em entrevista ao Jornal Midiamax após os incidentes, o doutorando do Programa de Ecologia e Conservação da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) Diego Viana, da Jaguarte Conservação, explicou que, além de raros, ataques a humanos não têm motivação predatória, na maioria das vezes.
“Esses encontros geralmente ocorrem de forma inesperada, em áreas de mata densa, ou quando o animal defende filhotes, carcaças ou está ferido ou estressado. Não por ‘gosto’ da espécie por humanos”, disse, à ocasião.
A ação humana e as mudanças climáticas fazem com que as presas e a oferta de comida para esses animais diminuam. Inclusive, a fome é uma das principais hipóteses propostas por especialistas para justificar o ataque de Irapuã ao caseiro.
Veja foto atual do animal:
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