Produtos de limpeza deixam a casa cheirosa, mas podem matar seu pet
Cloro, amônia e fenol estão entre os mais tóxicos para cães e gatos; especialista faz alerta
| NATáLIA OLLIVER / CAMPO GRANDE NEWS
Você é daquele tipo de pessoa que ama a casa cheirosa e limpinha? Sabia que esse hábito pode esconder um perigo silencioso e mortal para cães e gatos? Produtos de limpeza comuns, presentes na rotina de milhões de pessoas, podem causar intoxicações graves nos animais, especialmente quando usados sem ventilação adequada ou em excesso. E pior: os sintomas de uma intoxicação nem sempre são terríveis nos primeiros minutos ou horas. É aí que mora o perigo.
Segundo o médico-veterinário Mário Cinato, o problema costuma ser subestimado porque muitos tutores esperam sinais extremos logo no primeiro contato. Segundo ele, geralmente eles acham que vão ver convulsões ou desmaios imediatamente, mas a intoxicação por produtos de limpeza costuma ser silenciosa, principalmente quando acontece por exposição crônica, em pequenas doses diárias.
Ele explica que, em casos mais severos, os sintomas podem sim aparecer de forma intensa. “Quando há uma exposição exagerada, podem ocorrer convulsões, desmaios, vômitos, diarreia e salivação excessiva.'
Entre os produtos mais perigosos está a amônia, presente em muitos limpa-vidros e desinfetantes. A substância irrita as vias respiratórias e pode causar queimaduras nas patas e na boca dos gatos. Mas existe um detalhe curioso que é ainda mais preocupante: o cheiro. “O odor da amônia pode ser confundido pelos gatos com cheiro de urina. Isso pode fazer o animal marcar território justamente no local recém-limpo', explica o veterinário.
Em ambientes fechados, o risco aumenta ainda mais. A inalação pode provocar crises respiratórias, especialmente em animais sensíveis. Produtos à base de cloro e água sanitária também estão entre os campeões de intoxicação. Embora eficientes na desinfecção, são altamente corrosivos.
“O contato direto pode causar dermatites e queimaduras. Quando ingerido, o produto pode provocar vômitos, úlceras digestivas e salivação intensa', afirma o veterinário da clínica Bourgelat.
A recomendação é simples, mas frequentemente ignorada: diluir corretamente e só permitir a circulação do animal depois que o piso estiver completamente seco. Outra coisa que ele ressalta é que o desinfetante cheiroso para você pode ser fatal para o seu gato.
Os desinfetantes com fenol, normalmente associados a aromas de pinho ou eucalipto, representam um risco ainda maior para os felinos. “O fígado dos gatos não consegue metabolizar compostos fenólicos adequadamente. O que pode ser tolerável para um cão pode ser fatal para um gato', destaca.
Segundo ele, a intoxicação pode causar danos hepáticos e renais, além de tremores e perda de coordenação.
A idade também pesa na conta. Filhotes têm pele mais fina, sistema imunológico mais frágil e um comportamento explorador que aumenta o risco de ingestão direta. “O fígado e os rins ainda não processam toxinas com a mesma eficiência de um animal adulto', explica Mário.
Já os pets idosos sofrem com a eliminação mais lenta das substâncias tóxicas. “Muitos já apresentam declínio renal ou hepático. Isso faz com que o organismo leve muito mais tempo para eliminar a toxina, aumentando o dano interno.' Animais cardíacos também merecem atenção especial por serem mais sensíveis a vapores fortes e aerossóis.
De acordo com ele, a espécie, a raça e até o tipo de pelagem influenciam diretamente no risco de intoxicação. Raças braquicefálicas, como Pugs, Bulldogs, Shih Tzus e gatos Persas, têm vias aéreas reduzidas e podem sofrer crises respiratórias imediatas diante de vapores fortes.
Já cães com barba ou pelos longos, como Schnauzers e alguns Terriers, acumulam mais resíduos químicos nas patas e no focinho. “Quando eles se limpam, acabam ingerindo uma quantidade proporcionalmente maior do produto', diz o veterinário.
Raças predispostas a dermatites, como West Highland White Terrier e Bulldogs, também apresentam reações mais rápidas e severas ao contato com pisos lavados com produtos irritantes.
Outro ponto levantado pelo especialista é o marketing em torno dos produtos vendidos como “pet friendly'. “Muitas vezes existe um ‘imposto pet’. Alguns desses produtos têm composição muito simples e custam muito mais apenas por causa da embalagem ou da propaganda.' Ele também faz um alerta sobre o uso indiscriminado de soluções consideradas “naturais'.
“O termo natural não significa inofensivo. Alguns óleos essenciais, como tea tree e certos cítricos, podem ser tão tóxicos para gatos quanto produtos químicos sintéticos.' Segundo o veterinário, em muitos casos, soluções simples resolvem o problema sem colocar os animais em risco. “Uma mistura correta de álcool, água e vinagre resolve grande parte da limpeza doméstica com segurança e baixo custo. Claro que tudo precisa ser analisado.'
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