Dodmax derruba forasteiras e vence disputa para operar plataforma da Lotesul

Empresa de Campo Grande superou concorrentes de fora após recursos serem rejeitados na fase técnica

| ANAHI ZURUTUZA / CAMPO GRANDE NEWS


Bolas com números utilizadas para sorteio enfileiradas (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

Na disputa com empresas de fora e experientes no mercado de apostas, a Dodmax Tecnologia S/A, de Campo Grande, foi declarada vencedora “provisória' da licitação para implantar e operar a plataforma eletrônica da Lotesul, a loteria estadual de Mato Grosso do Sul. O resultado foi confirmado nesta terça-feira (23), após a rejeição dos recursos apresentados por concorrentes desclassificadas na fase técnica.

A empresa ficará com 69% da arrecadação estimada da loteria estadual para operar o sistema, enquanto 31% serão repassados aos cofres do Estado. A estimativa de receita média anual da plataforma é de R$ 51.474.339,31. A empresa arrecadará, portanto, R$ 35.517.294,12, enquanto o repasse previsto à administração estadual chega a R$ 15.957.045.

A disputa foi reaberta às 14h desta terça-feira (23), conforme previsto no DOE (Diário Oficial do Estado). O pregão estava suspenso desde maio por causa de recursos apresentados pela LottoPro Jogos de Apostas e Gestão de Lotéricas Ltda e pela Prohards Comércio, Desenvolvimento e Serviços em Tecnologia da Informação Ltda, ambas eliminadas na POC (Prova de Conceito).

A POC é a etapa prática da licitação. Nela, as empresas precisam demonstrar que o sistema ofertado atende às exigências do edital.

A LottoPro alegou que não teve condições equivalentes às demais concorrentes para demonstrar a funcionalidade do “cofre eletrônico', requisito previsto no edital. Pediu a anulação da desclassificação e nova avaliação técnica.

Já a Prohards sustentou que sua solução tecnológica foi avaliada de forma inadequada, sem a devida exploração das funcionalidades apresentadas. A empresa também afirmou que parte dos problemas teria relação com o ambiente de testes disponibilizado pela comissão de licitação e pediu a reabertura da prova de conceito.

As alegações foram contestadas pela Dodmax, que defendeu a manutenção das desclassificações. A empresa argumentou que as concorrentes não questionaram a metodologia quando ela foi aplicada às demais participantes e que cabia a cada licitante demonstrar, de forma clara, o cumprimento dos requisitos exigidos.

A comissão técnica manteve o entendimento de que as desclassificações seguiram critérios objetivos previstos no edital e no termo de referência. Com isso, a equipe de servidores estaduais julgou improcedentes os recursos e manteve a classificação e a habilitação da Dodmax. A decisão havia sido publicada no DOE nº 12.190, de 19 de junho, e foi retomada na sessão de hoje, quando houve a confirmação.

A plataforma contratada será responsável por concentrar e validar as operações de venda, identificação, pagamento de prêmios, recolhimento da outorga variável e tributos da loteria estadual. O edital também prevê manutenção, customização, atualizações e entrega do código-fonte e do banco de dados ao fim do contrato.

Apesar da vitória no pregão, o processo ainda não significa contrato assinado. A ata informa que o resultado segue para adjudicação e encaminhamento à autoridade superior, etapa necessária antes da formalização definitiva.

Quem é? – A Dodmax foi fundada em 2024 pelo advogado, empresário e pecuarista Mauro Luiz Barbosa Dodero. Conforme o CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), a empresa é especializada em desenvolvimento de sistemas para computador e funciona em endereço comercial na Avenida Hiroshima, no Carandá Bosque, em Campo Grande.

Dodero também é ligado a outras empresas em Mato Grosso do Sul e integra a diretoria da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul).

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