Se você tem gato idoso e comete esse erro seu pet está em risco
Veterinário explica a verdade sobre gatos na terceira idade e o que os tutores ignoram mas não deveriam
| NATáLIA OLLIVER / CAMPO GRANDE NEWS
Você sabe cuidar do seu gato idoso? Muita gente não sabe, mas a partir dos 11 anos eles já precisam de cuidados específicos e isso pode fazer a diferença na saúde e bem-estar dele. Gato idoso não avisa que está ficando velho. Segundo o veterinário Rafael Rodrigues, especialista em felinos, algumas mudanças deixam de ser só “idade' e passam a exigir atenção redobrada, porque podem esconder doenças tratáveis que muita gente só descobre tarde demais.
Nessa fase, o organismo começa a passar por alterações naturais, mas isso não significa que qualquer coisa no comportamento ou saúde deva ser tratada como algo normal sem investigação. É justamente neste período em que aumenta o risco de doenças crônicas e o acompanhamento precisa ser ainda mais rígido.
De acordo com ele, é esperado que o gato durma mais e reduza um pouco sua atividade. Porém, sinais como perda de peso, aumento da sede, mudanças na urina, dificuldade para saltar, vômitos frequentes e alterações de comportamento não devem ser ignorados e precisam de avaliação veterinária.
A linha entre “envelhecimento e doença' é mais fina do que muitos tutores imaginam, e aqui mora o problema. Rafael reforça que o ideal é realizar check-ups a cada 6 meses. Esses acompanhamentos incluem exames de sangue, urina, pressão arterial e exames de imagem, que ajudam a identificar doenças antes mesmo que os sinais fiquem evidentes. Em gatos, isso é ainda mais importante porque eles costumam esconder sintomas com facilidade.
Entre as doenças mais comuns nessa fase estão doença renal crônica, hipertensão arterial, hipertireoidismo, diabetes mellitus e osteoartrite. Muitas vezes, essas condições evoluem silenciosamente e só são percebidas quando já estão em estágio avançado.
Mudanças no apetite, no peso ou na ingestão de água também podem estar ligadas a doenças renais, endócrinas, gastrointestinais, metabólicas ou até neoplasias. Outro ponto de atenção está no uso da caixa de areia e nas eliminações. A quantidade de urina, a frequência com que o gato vai até a caixa, a presença de sangue, o esforço para urinar e alterações nas fezes, como diarreia ou constipação, são sinais importantes que ajudam a compor o quadro clínico.
A alimentação também não deve ser tratada com regra única. Nem todo gato idoso precisa mudar de dieta apenas por causa da idade. A decisão deve ser individualizada, levando em conta a condição corporal e possíveis doenças.
Rafael pontua que alimentos úmidos podem ajudar bastante nessa fase, principalmente por contribuírem para a hidratação e para a saúde urinária e renal. Em alguns casos, dietas terapêuticas são necessárias, sempre com orientação veterinária.
Mas e a casa, precisa mudar? Além dos cuidados clínicos, o ambiente também conta. Adaptar a casa com rampas, caixas de areia de fácil acesso, camas confortáveis e manter os recursos sempre nos mesmos lugares ajuda gatos com dor, mobilidade reduzida ou alterações visuais a se locomoverem com mais segurança e menos estresse.
O veterinário também chama atenção para um erro muito comum entre tutores: não dar a devida atenção aos sinais sutis. O maior mito é justamente acreditar que emagrecimento, aumento da ingestão de água, dificuldade para saltar ou mudanças de comportamento são apenas consequências da idade. Na maioria das vezes, segundo ele, são sinais de algo que precisa ser investigado.
No fim das contas, a ideia de que “é só velhice' pode custar caro ao bem-estar do animal. Em gatos idosos, observar, investigar e agir cedo não é exagero, é cuidado básico e pode fazer a diferença na vida do seu pet.
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