MPMS apura maus-tratos após polícia flagrar bovinos em situação de extrema magreza em fazenda

Mais de 200 cabeças de gado estavam concentradas em uma única área de aproximadamente 23 hectares, considerada incompatível com a capacidade de suporte necessária para alimentação dos animais

| DA REDAçãO / MS NEWS


Relatório da PMA aponta gado em situação de maus-tratos - Crédito: Divulgação/MPMS

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou inquérito civil para apurar denúncias de maus-tratos a bovinos em uma fazenda localizada em Cassilândia.

A medida foi adotada após o recebimento de relatórios da Polícia Militar Ambiental (PMA) que apontaram animais em situação de extrema magreza, mortes no rebanho e possíveis falhas no manejo e na alimentação dos semoventes.

As irregularidades já vinham sendo objeto de fiscalização por órgãos ambientais.

Documentos anexados ao procedimento revelam que, em vistoria realizada em 2023, a PMA constatou a redução do rebanho após a venda de cerca de 100 animais magros e registrou a adoção de medidas para suplementação alimentar dos bovinos que permaneceram na propriedade.

Contudo, novas fiscalizações realizadas em 2024 e 2025 identificaram o agravamento da situação. Segundo os relatórios encaminhados ao MPMS, policiais ambientais encontraram uma novilha agonizando por falta de alimentação, além de aproximadamente 20 bovinos em avançado estado de magreza e outros animais mortos na fazenda.

As equipes também relataram insuficiência de pastagem para o rebanho e indícios de negligência no fornecimento de alimentação adequada.

Conforme os documentos, mais de 200 cabeças de gado estavam concentradas em uma única área de aproximadamente 23 hectares, considerada incompatível com a capacidade de suporte necessária para alimentação dos animais.

Durante a fiscalização, a PMA também lavrou autos de infração, aplicou multa administrativa e determinou a apreensão de bovinos em situação mais crítica.

Ao instaurar o inquérito civil, a 2ª Promotoria de Justiça de Cassilândia destacou a necessidade de aprofundar a apuração dos fatos e avaliar a adoção de medidas judiciais e extrajudiciais para responsabilização dos envolvidos. A Promotoria de Justiça também observou que a conduta investigada pode configurar, em tese, o crime de maus-tratos previsto no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais.

Entre as providências já determinadas estão a notificação do proprietário para apresentação de informações e documentos, a requisição de dados sobre a propriedade rural e a verificação da existência de procedimento policial relacionado ao caso.

O MPMS também avaliará a possibilidade de celebração de termo de ajustamento de conduta (TAC) ou o ajuizamento de medidas judiciais cabíveis, conforme o andamento das investigações.

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