Parece carinho, mas gato te 'assina' quando dá cabeçadas em você
Gesto libera feromônios e reforça vínculos com pessoas consideradas seguras
| CLAYTON NEVES / CAMPO GRANDE NEWS
Se você tem gato em casa, provavelmente já recebeu aquela cabeçadinha inesperada. O bichano chega perto, encosta a testa na sua mão, no rosto ou na perna e, às vezes, ainda se esfrega no corpo antes de sair andando como se nada tivesse acontecido.
A cena parece apenas uma demonstração de carinho. Mas existe uma explicação curiosa por trás desse comportamento.
Segundo o médico-veterinário Felipe Alonso, o hábito de encostar a cabeça ou esfregar o corpo nas pessoas está relacionado à comunicação dos gatos. O animal utiliza substâncias liberadas por glândulas presentes principalmente na região da face para deixar seu cheiro e reconhecer aquilo que considera familiar.
“Podemos dizer que quando o gato passa a cabeça nos tutores, existe uma chance de ele estar “marcando' como alguém conhecido e seguro', detalha.
O comportamento é chamado de bunting quando o gato encosta a cabeça em uma pessoa ou em outro animal. Conforme explica Felipe, esse contato faz parte da comunicação social dos felinos e pode indicar confiança, familiaridade e conforto.
“Os gatos têm glândulas que liberam feromônios em diferentes partes do corpo. No rosto e perto da boca, essas substâncias ajudam o animal a identificar pessoas, objetos e outros animais como parte de um ambiente familiar', pontua.
A explicação também ajuda a entender uma cena bastante comum quando o tutor compra um móvel novo e o gato vai lá esfregar o corpo nele.
“O gato deixa a marca olfativa no objeto e incorpora como algo que ele conhece no ambiente. Como esse cheiro vai diminuindo com o tempo, o ritual pode ser repetido. O mesmo vale para pessoas', relata o veterinário.
Quando o gato se esfrega na perna do tutor, passa a cabeça na mão ou dá aquela encostada no rosto, ele espalha seus feromônios e reforça a familiaridade com aquele indivíduo.
A marcação não deve ser entendida como uma posse no sentido humano da palavra. Para Felipe, trata-se principalmente de uma forma de comunicação e reconhecimento dentro do universo felino.
É como se o gato identificasse aquele espaço, pessoa ou animal como parte de um ambiente conhecido e seguro.
“O gato não costuma fazer isso indiscriminadamente com qualquer pessoa. Isso está associado ao vínculo social e à sensação de segurança. Por isso, quando um felino chega espontaneamente para encostar a cabeça em alguém, o gesto pode ser interpretado como um sinal positivo de confiança', afirma.
De acordo com Felipe, gatos são animais bastante atentos ao ambiente e utilizam o olfato como uma das principais formas de reconhecer o que está ao redor. O contato físico ajuda a criar e reforçar essa familiaridade.
Por isso, aquela pessoa que o gato procura para receber carinho pode estar sendo reconhecida pelo animal como uma presença segura. É também por isso que o gato pode repetir o comportamento diversas vezes ao longo do dia.
A marca olfativa não é permanente. Então, quando o felino volta a se esfregar, ele está renovando essa comunicação.
O gesto tem uma função biológica e social, mas isso não significa que o carinho esteja descartado. Segundo Felipe, o comportamento está associado a uma relação de confiança e familiaridade.
Então, se o seu gato chega perto, encosta a cabeça em você e começa a ronronar, pode comemorar. Ele não está apenas procurando um cafuné. “Ele também está dizendo, do jeito felino, que a pessoa faz parte do ambiente que ele reconhece como seguro', finaliza.
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