Disputa ao Senado tem campanhas com milhões e duas prestações zeradas
Contar lidera arrecadação, Reinaldo concentra gastos e 2 concorrentes declaram contas zeradas
| KAMILA ALCâNTARA / CAMPO GRANDE NEWS
A prestação parcial de contas dos candidatos ao Senado por Mato Grosso do Sul traz diferenças milionárias entre as campanhas. Enquanto dois concorrentes declararam não ter recebido nem gasto recursos, Capitão Contar (PL) já arrecadou R$ 2,5 milhões e Reinaldo Azambuja (PL) contratou despesas próximas de R$ 3 milhões.
Os dados consultados neste domingo (13), data-limite para que partidos políticos, candidatas e candidatos encaminhem à Justiça Eleitoral a prestação parcial de contas das campanhas, serão divulgados oficialmente na terça-feira (15). A publicação incluirá a identificação dos doadores e os valores repassados. Como os demonstrativos têm diferentes datas de atualização, os números ainda podem sofrer alterações até a consolidação das informações.
Renan Contar (PL), o Capitão Contar, lidera a arrecadação, com R$ 2.503.818,18 recebidos. A maioria veio dos partidos que integram sua coligação: R$ 2 milhões foram transferidos pelo diretório nacional do PL e R$ 481.818,18 pelo diretório nacional do PP. Outros R$ 22 mil foram doados por pessoas físicas.
Apesar de já ter mais de R$ 2,5 milhões disponíveis, a campanha de Contar não havia registrado nenhuma despesa contratada ou paga até a atualização de 7 de setembro.
Em segundo lugar aparece Vander Loubet (PT), com R$ 1.603.411,27 em receitas. Desse total, R$ 1.588.286,27 foram repassados pelo diretório nacional do PT. A campanha também recebeu R$ 11.125 por meio de financiamento coletivo e R$ 4 mil em doação estimável.
Na prestação atualizada em 25 de agosto, Vander havia declarado somente R$ 10.231,38 em despesas, todas pagas. Foram R$ 10 mil destinados ao impulsionamento de conteúdo e R$ 231,38 cobrados como taxa de administração da plataforma de financiamento coletivo.
Já Reinaldo Azambuja (PL) recebeu R$ 1.138.125, mas contratou R$ 2.970.519,79 em despesas. O valor representa cerca de 94% do limite de R$ 3.176.572,53 permitido para uma campanha ao Senado. Até a atualização de 10 de setembro, R$ 837.281,20 haviam sido pagos.
O demonstrativo mostra que Reinaldo contratou R$ 1,8 milhão a mais do que havia arrecadado até aquele momento. Os maiores gastos da campanha são R$ 1 milhão com serviços advocatícios, R$ 409.860 com militância e mobilização de rua, R$ 380 mil com produção de programas de rádio, televisão ou vídeo, R$ 330 mil com impulsionamento de conteúdo e R$ 250 mil com serviços contábeis.
Dos recursos recebidos por Reinaldo, R$ 807.125 vieram de partidos. O diretório nacional do PL transferiu R$ 500 mil, o União Brasil repassou R$ 300 mil e o diretório estadual do PL destinou R$ 7.125. O candidato também colocou R$ 317 mil do próprio bolso e recebeu R$ 14 mil de pessoas físicas.
Soraya Thronicke (PSB) declarou R$ 517 mil em receitas, mas ainda não havia registrado despesas. O diretório nacional do PSB repassou R$ 500 mil, enquanto R$ 8,5 mil vieram da própria candidata e outros R$ 8,5 mil foram doados por uma pessoa física. Os dados estavam atualizados até 31 de agosto.
Roberto Oshiro (Novo) informou R$ 98.675 em receitas e R$ 139.526,34 em despesas contratadas, das quais R$ 89.026,34 já haviam sido pagas. O candidato aplicou R$ 65 mil de recursos próprios e recebeu R$ 32,5 mil de pessoas físicas e R$ 1.175 por financiamento coletivo.
Entre os principais gastos de Oshiro estão R$ 46 mil com serviços prestados por terceiros, R$ 40 mil com produção de programas, R$ 20 mil com locação ou cessão de imóveis, R$ 13 mil com impulsionamento de conteúdo e R$ 10,7 mil com materiais impressos.
Beto do Movimento (PSOL/Rede) recebeu R$ 45 mil do diretório nacional do PSOL. Até a atualização de 12 de setembro, não havia nenhuma despesa lançada.
Valter da Comagran (PRD/Solidariedade) declarou R$ 14,5 mil em receitas e R$ 13.112,50 em despesas contratadas e pagas. Do valor arrecadado, R$ 10,5 mil saíram do próprio bolso do candidato e R$ 4 mil vieram de uma pessoa física.
As maiores despesas de Valter foram R$ 5.950 com materiais impressos, R$ 5 mil com serviços contábeis e R$ 2 mil com impulsionamento de conteúdo.
Na outra ponta, Daniel Junior (Agir) e Luiz Lemes (DC) apresentaram prestações zeradas. Os dois informaram não ter recebido recursos nem contratado despesas. A situação é diferente para Valderi Garcia (PCO). Até a consulta realizada neste domingo, não havia prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral. Como o prazo para entrega terminava neste domingo, a ausência ainda não poderia ser tratada como atraso.
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