Construção civil cria vagas, mas empresas têm dificuldade para contratar em MS
Mesmo com 7,3 mil empregos formais até agosto, empregadores seguem em busca de profissionais qualificados
| GUILHERME CAVALCANTE / CAMPO GRANDE NEWS
Encontrar profissionais disponíveis e qualificados virou um dos principais desafios da construção civil em Mato Grosso do Sul. Mesmo com 7.392 empregos formais criados entre janeiro e agosto de 2026, empresas relatam dificuldade para contratar trabalhadores para funções operacionais e técnicas.
O saldo representa cerca de 36% dos 20.456 postos de trabalho criados no Estado no período. A construção ficou atrás apenas do setor de serviços, responsável por 8.644 empregos. Em agosto, o setor abriu outras 195 vagas formais.
“O desafio hoje não é a falta de vagas, mas encontrar profissionais disponíveis e preparados para ocupá-las', afirma Valéria Gabas, diretora da Unidade de Negócio da Plaenge em Campo Grande. Segundo ela, o setor vive um ciclo de crescimento em Mato Grosso do Sul.
Na Capital, a construção civil criou 1.357 empregos formais entre janeiro e agosto. Considerando todas as atividades econômicas, Campo Grande registrou saldo positivo de 3.772 vagas no período.
Escassez atinge funções operacionais e técnicas - A dificuldade de contratação aparece em diferentes etapas das obras. Entre os profissionais procurados estão serventes, pedreiros, carpinteiros, armadores, encarregados e mestres de obras, além de trabalhadores técnicos e especializados.
Para o vice-presidente do Sinduscon-MS, Amarildo Miranda Melo, as empresas enfrentam dificuldade tanto para encontrar trabalhadores quanto para contratar pessoas qualificadas. “A construção civil está mudando e as empresas precisam de profissionais cada vez mais preparados', afirma.
A falta de qualificação pode afetar a produtividade e os custos das obras, avalia Valéria. Para ela, a formação profissional também ajuda o setor a incorporar tecnologias e criar oportunidades de carreira.
Novas tecnologias mudam o perfil profissional - O uso de ferramentas como BIM, inteligência artificial, drones, automação e processos industrializados tem ampliado a demanda por conhecimentos em modelagem digital, planejamento, gestão de dados, logística e coordenação de projetos. A mudança exige atualização de quem já trabalha nos canteiros e formação para quem pretende ingressar na área.
“A construção civil está incorporando tecnologias que tornam as obras mais produtivas, eficientes e sustentáveis. Com isso, aumentam as oportunidades para profissionais especializados', diz Valéria.
Formação busca ampliar mão de obra - A inclusão de mulheres é uma das iniciativas para ampliar o número de profissionais no setor. Dados da RAIS de 2024 mostram que elas representam 11,5% da força de trabalho formal da construção civil no Brasil.
Em Campo Grande, o projeto Elas Constroem, desenvolvido pelo Sinduscon-MS com participação da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), do SENAI-MS e da Plaenge, oferece qualificação profissional. A iniciativa já formou duas turmas e começou uma terceira em agosto, com 78 alunas. Há cursos para funções como pedreira de alvenaria, pintora imobiliária e eletricista predial.
O Sinduscon-MS também mantém o Sindicato Qualifica, com cursos de formação e requalificação em parceria com instituições como FIEMS, SENAI e CBIC.
Para Valéria, enfrentar a falta de profissionais exige articulação entre empresas, instituições de ensino, entidades do setor e poder público. A diretora também defende ações para aproximar jovens e mulheres das oportunidades na construção civil.
(Com informações da assessoria)
Se quiser receber notícias do Site MS NEWS via WhatsApp gratuitamente ENTRE AQUI . Lembramos que você precisa salvar nosso número na agenda do seu celular.











