A caderneta da poupança registrou saída líquida (retiradas menos depósitos) de R$ 6,26 bilhões em junho – a maior saída de recursos para o mês desde o início da série histórica, em 1995. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (6) pelo Banco Central.

Até então, o pior resultado para um mês de junho havia sido registrado em 1999, quando a caderneta perdeu R$ 1,4 bilhão. Em maio, as retiradas haviam superado os depósitos em R$ 3,199 bilhões, e em abril, em R$ 5,85 bilhões. Em maio, no entanto, a captação teve resultado ainda pior, com saída líquida de R$ 11,438 bilhões.

No primeiro semestre, as retiradas totalizaram R$ 38,541 bilhões. O número também é o mais alto para o período desde o início da série histórica do BC, em 1995. Desde 2005 a poupança não perdia recursos em todos os meses de um primeiro semestre.

Com a saída de recursos em junho, o saldo total que os brasileiros têm aplicado na caderneta fechou o semestre em R$ 645,56 bilhões, o menor valor desde setembro do ano passado, quando as poupanças somavam R$ 643,4 bilhões.

A evasão de valores da mais tradicional modalidade de investimentos do país acontece em um momento de alta da inflação, dos juros, dos tributos e do endividamento das famílias, além da perda da rentabilidade frente a outras modalidades de investimentos.

Fundo de reserva
Especialistas avaliam que, independentemente do rendimento, a caderneta de poupança ainda pode ser uma boa opção de investimento em alguns casos. Pode ser uma boa alternativa, por exemplo, para pequenos poupadores (com pouco dinheiro guardado), para pessoas que buscam aplicações de curto prazo (poucos meses) ou que procuram formar um "fundo de reserva" para emergências – uma vez que não há incidência do Imposto de Renda.

Nos fundos de investimento, ou até mesmo no Tesouro Direto (programa do governo de compra de títulos públicos pela internet) há cobrança do imposto de renda e, na maior parte dos casos, de taxa de administração. Nos fundos de investimento e no Tesouro Direto, o IR incide com alíquota regressiva, ou seja, quanto mais tempo os recursos ficarem aplicados, menor é o valor da alíquota incidente no resgate.

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