Na 13ª tentativa, policial civil Anderson, de Fátima do Sul, encontra rim compatível e recomeça a vida após 16 anos

O procedimento marca o início de uma nova etapa após 16 anos de espera para o morador


Anderson junto à equipe médica (Foto: Divulgação/SES)

Após anos de hemodiálise e tentativas sem sucesso, Anderson Ribeiro dos Santos, investigador da Polícia Civil, recebeu um rim compatível e passou pelo transplante. O processo marca o início de uma nova etapa após 16 anos de espera para o morador de Fátima do Sul.

Diagnosticado com nefropatia por IgA em 2009, Anderson iniciou as sessões de hemodiálise no mesmo ano, em um processo que se estendeu por 16 anos e 8 meses. Durante o período, o investigador passou por diferentes centros de tratamento em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná.

Foram diversas convocações ao longo dos anos, muitas delas sem sucesso devido à incompatibilidade. “A gente vive esperando o telefone tocar. Pode ser a qualquer hora, de madrugada, durante o almoço. Isso mexe com o psicológico, com o sono, com tudo”, relata.

Assim, mesmo diante das dificuldades, ele seguiu trabalhando como investigador da Polícia Civil, função que exerce desde 2006. “Sempre tive apoio dos meus colegas e da instituição. Isso fez toda a diferença para eu continuar firme durante esse processo”, afirma.

13ª tentativa

A espera terminou após acompanhamento no Hospital do Rocio, em Campo Largo-PR, onde Anderson permaneceu por cerca de dois anos e meio. Após 12 tentativas frustradas, foi na 13ª convocação que veio a notícia esperada. “Quando deu certo, foi como ganhar uma nova vida. Foram muitos anos tentando, vendo outras pessoas conseguirem e eu tendo que recomeçar. É uma sensação que não dá para descrever”, relembra.

A convocação aconteceu em uma madrugada de outubro do ano passado, exigindo rapidez na mobilização para o deslocamento até o hospital. Ao longo da jornada, Anderson contou com diferentes formas de deslocamento, incluindo apoio aéreo em momentos anteriores, viabilizado pelo Governo do Estado.

“Quando o chamado acontece, não tem como esperar. É tudo muito rápido. Sem esse tipo de apoio, muita gente não consegue chegar a tempo”, explica. Além disso, ele destaca o trabalho das equipes envolvidas nesse processo. “São verdadeiros anjos. A Casa Militar, os pilotos, as equipes… todos sempre prontos para ajudar. Isso salva vidas”, afirma.

Bastidores do transporte

Por trás da chegada a tempo para o transplante, ocorre uma operação complexa que envolve planejamento, agilidade e decisões tomadas em questão de minutos. O piloto da Casa Militar, Enilton Zalla, participou diretamente do transporte e relembra que o caso exigiu rapidez e enfrentou condições desafiadoras.

Conforme ele, essa não foi a primeira vez que acompanhou a trajetória do investigador. Ao longo dos anos, Enilton participou de outras tentativas de deslocamento de Anderson para Curitiba, ainda sem sucesso na compatibilidade para o transplante.

Ele explica que a atuação da equipe faz parte de uma engrenagem maior, organizada de forma integrada entre a SES (Secretaria de Estado de Saúde), a Casa Militar e a CTA (Coordenadoria de Transporte Aéreo). As missões envolvem tanto o transporte de pacientes quanto a captação de órgãos. A atuação ocorre em regime rotativo e é acionada conforme a necessidade da Secretaria de Saúde.

“Quando a demanda surge, a gente avalia rapidamente as condições e, sendo possível, já inicia o voo. É um trabalho que exige precisão e agilidade, porque cada minuto faz diferença”, explica. Com experiência acumulada desde 2019 nesse tipo de operação, período em que também atuou em missões pelo Corpo de Bombeiros, Enilton ressalta que, embora existam casos em que o desfecho não é o esperado, a maioria das missões resulta em vidas salvas, o que reforça o propósito do trabalho.

Entre o medo e a realização

O transplante foi realizado no dia 14 de outubro, um dia depois da ligação de convocação. Ao chegar ao hospital, o sentimento de Anderson era uma mistura de ansiedade e apreensão. De acordo com ele, o acolhimento da equipe foi fundamental.

“Fui muito bem recebido. A equipe já estava preparada, aguardando. Tudo precisa ser rápido para garantir que o órgão seja transplantado com sucesso”, explica.

Hoje, já transplantado, ele resume o momento com gratidão. “Estou vivendo uma nova vida. Sou muito grato a todos que fizeram parte dessa trajetória”, afirma.

Apoio logístico e integração entre instituições

A história de Anderson reflete os avanços na área de transplantes em Mato Grosso do Sul, impulsionados pela integração entre saúde e logística e pelo suporte estratégico do Governo do Estado.

Por meio dessa atuação conjunta, o Estado mantém uma estrutura preparada para atender demandas em qualquer dia e horário, dentro e fora de Mato Grosso do Sul. Desde 2023, já foram realizadas 39 missões aéreas para captação e transporte de órgãos, sendo 19 apenas no último ano.

A coordenadora da CET (Central Estadual de Transplantes), Claire Miozzo, ressalta a importância da agilidade no processo. “Quando conseguimos reduzir o tempo entre a captação e o transplante, aumentamos significativamente as chances de sucesso. Essa integração tem salvado vidas”, afirma.

O cirurgião responsável pelo programa de transplantes no Estado, Gustavo Rapassi, também destaca o impacto direto do suporte logístico, especialmente diante das longas distâncias. “Os pacientes que aguardam estão, muitas vezes, em situação de vida ou morte. Quando conseguimos reduzir o tempo de transporte, aumentamos a chance de que esse órgão realmente chegue e seja aproveitado”, explica.

Conforme ele, o transporte aéreo é decisivo para viabilizar os procedimentos. “Sem essa estrutura, muitos órgãos não conseguiriam ser utilizados a tempo. Isso faz toda a diferença para quem está na fila”, completa

Anderson junto à equipe médica (Foto: Divulgação/SES)

Se quiser receber notícias do Site MS NEWS via WhatsApp gratuitamente ENTRE AQUI . Lembramos que você precisa salvar nosso número na agenda do seu celular.


ÚLTIMAS NOTÍCIAS





















PUBLICIDADE
PUBLICIDADE