Laudo mostra que campo-grandense suspeito de matar miss morreu por asfixia
Perícia concluiu exame necroscópico nesta quinta-feira e corpo foi liberado para a família
| ANAHI ZURUTUZA / CAMPO GRANDE NEWS
A causa de morte de Endreo Lincoln Ferreira da Cunha, de 35 anos, foi asfixia mecânica por enforcamento, concluiu o IML (Instituto Médico Legal) do Rio de Janeiro (RJ). O campo-grandense foi encontrado morto em cela da Delegacia de Homicídios do Rio horas após ser preso por suspeita de matar a namorada Ana Luiza Mateus, de 29, na quarta-feira (22), jogando-a do 13º andar de um apartamento na Barra da Tijuca.
Segundo informado pela Polícia Civil ao jornal O Globo, Endreo se enforcou com a própria bermuda dentro da carceragem. Ainda conforme a apuração local, a causa da morte consta na declaração de óbito de Endreo, concluída na quinta. Nesse mesmo dia, parentes dele foram ao IML para fazer a liberação do corpo acompanhados por um advogado, que não quis conversar com a reportagem, alegando que a família está 'muito abalada' e não se manifestará sobre o caso.
Endreo estava no Rio desde o início do ano. Ele era foragido da Justiça sul-mato-grossense, mas convidou a modelo e influenciadora para passar o Carnaval com ele num camarote da Sapucaí. Depois disso, os dois começaram a namorar, de acordo com relato de um amigo da vítima.
Ainda segundo a testemunha, o homem teria se apresentado usando o nome do próprio irmão e dizendo ser estudante de Medicina. Mesmo após a prisão, ele manteve a identidade falsa, mas foi identificado ainda na quarta-feira pela investigação.
Outras testemunhas ouvidas pelo delegado Renato Martins, da Delegacia de Homicídios, apontaram que o relacionamento era marcado por conflitos. Na madrugada de quarta-feira, ao menos duas discussões foram ouvidas no apartamento.
A motivação, conforme apurado, teria sido a compra de uma passagem para Teixeira de Freitas (BA), cidade natal de Ana Luiza, o que indicaria a intenção dela de encerrar o namoro, que durava cerca de três meses.
Ainda segundo a investigação, Endreo foi visto deixando o imóvel de forma agressiva, chegando a danificar uma porta do condomínio. Em seguida, teria trocado mensagens com a vítima, retornado ao apartamento e iniciado uma nova discussão. Vizinhos acionaram a portaria por causa do barulho, mas quando os funcionários chegaram, a queda já havia ocorrido.
O delegado afirmou ao jornal O Globo que o suspeito foi encontrado ao lado do corpo, chorando e com sinais de sangue, e que teria alterado a posição da vítima e outros elementos da cena, numa tentativa de dificultar o trabalho da perícia. Segundo ele, há indícios técnicos de que Ana Luiza foi empurrada.
Em depoimento, Endreo disse aos policiais que sentia ciúmes da namorada e se incomodava com a exposição dela nas redes sociais, onde reunia mais de 40 mil seguidores e fazia publicidade.
Conforme o delegado, o suspeito demonstrava comportamento controlador, tentando limitar a liberdade da vítima, inclusive impedindo que ela saísse sozinha. Para uma amiga, ela afirmou estar se sentindo numa “gaiola de ouro'.
Em depoimento, Endreo não confessou ter matado a namorada, mas disse se sentir culpado pela morte dela.
Histórico de violência – Endreo já possuía antecedentes por violência contra mulheres. Em novembro do ano passado, teve a prisão decretada pela Justiça de Mato Grosso do Sul após denúncia de uma ex-namorada por crimes como tortura, cárcere privado, estupro e agressões, registrados no fim de outubro. Além disso, ele responde a outros dois processos por violência doméstica, sendo o mais antigo de 2023.
Em depoimento, a ex-companheira relatou episódios de violência motivados por ciúmes, afirmando que foi obrigada a confessar supostas traições. Ela também contou que foi ameaçada de morte e impedida de sair, conseguindo atendimento médico apenas após insistência. Segundo o relato, o suspeito ainda reteve seus pertences antes de “desaparecer'.
Se você vive ou testemunha alguma forma de agressão, denuncie. O 180 atende 24 horas e pode orientar e acolher. Em situações de risco imediato, ligue 190. Seu gesto pode salvar uma vida.
Procure ajuda – Em Campo Grande, o GAV (Grupo Amor Vida) presta apoio emocional gratuito a pessoas em crise pelo número 0800 750 5554. Também é possível buscar atendimento no Núcleo de Saúde Mental ou no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), ou pelos telefones 141 e 188 do CVV (Centro de Valorização da Vida). Em situações emergenciais, os números 190 da PM (Polícia Militar) e 193 do Corpo de Bombeiros podem ser acionados.
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