Homem que matou 3 pessoas em incêndio é condenado a 67 anos após década foragido em MS
Réu foi preso no ano passado e júri reconheceu triplo homicídio por ciúmes
| GABI CENCIARELLI / CAMPO GRANDE NEWS
Adriano Ribeiro Espinosa, de 38 anos, foi condenado a 67 anos de prisão pelo incêndio criminoso que matou três pessoas e deixou uma mulher gravemente ferida no Jardim Colúmbia, em Campo Grande, em outubro de 2014. O julgamento aconteceu nesta terça-feira (20), na 2ª Vara do Tribunal do Júri da Capital.
O Conselho de Sentença condenou Adriano por 3 homicídios qualificados consumados, 1 tentativa de homicídio qualificado e corrupção de adolescente. Já o crime de incêndio em casa habitada acabou absorvido pelos homicídios, tese aceita tanto pela acusação quanto pela defesa.
A pena foi fixada em 67 anos de reclusão, em regime fechado. O juiz Aluizio Pereira dos Santos também determinou o cumprimento imediato da pena e manteve a prisão preventiva do condenado.
Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou que Adriano agiu por ciúmes da então companheira, Edna Rodrigues de Souza, ao encontrá-la bebendo com amigos na casa onde ocorreu o incêndio. Segundo a denúncia, ele arquitetou o crime com ajuda do adolescente Sérgio Torres de Oliveira, que tinha 16 anos na época.
Conforme os autos, na noite de 13 de outubro de 2014, Adriano e o adolescente compraram álcool e atearam fogo na residência da Rua Uruanã, no Jardim Colúmbia, enquanto quatro pessoas estavam dentro do imóvel.
Morreram no incêndio Lucinda Ferreira Torres, de 41 anos, Daniel Candia, de 38, e Hélio Queiroz Neres, de 37 anos. Edna Rodrigues de Souza sobreviveu após passar mais de 40 dias internada.
Segundo o processo, o fogo foi colocado de forma sorrateira, enquanto as vítimas confraternizavam e consumiam bebida alcoólica dentro da residência. O imóvel tinha grades nas janelas e a porta estava trancada, o que dificultou a fuga.
Na sentença, o juiz destacou a “intensa vontade de matar' demonstrada pelo réu e afirmou que as vítimas sofreram de forma extrema ao tentarem escapar das chamas. “As vítimas lutaram por suas vidas enquanto estavam sendo queimadas dentro da residência', diz trecho da decisão.
O magistrado também ressaltou que Adriano permaneceu foragido por aproximadamente dez anos, até ser preso em março de 2025, em Maracaju, cidade a 159 quilômetros de Campo Grande.
Durante o júri, a defesa sustentou negativa de autoria, pediu o afastamento das qualificadoras e alegou atipicidade no crime de corrupção de adolescente. Os jurados, porém, acolheram a versão apresentada pelo Ministério Público.
Na dosimetria da pena, o juiz fixou 18 anos de prisão para cada um dos homicídios consumados e 12 anos pela tentativa de homicídio contra Edna. Com a soma das penas e o crime de corrupção de adolescente, a condenação chegou aos 67 anos de prisão.
O magistrado ainda citou que, caso o crime fosse julgado atualmente, a tentativa contra Edna poderia ser enquadrada como tentativa de feminicídio, em razão do contexto de violência doméstica.
O caso chocou Campo Grande em 2014. Na época, Lucinda havia expulsado o filho adolescente de casa após conflitos familiares. Horas depois, o rapaz se encontrou com Adriano em um bar da região e os dois passaram a discutir como colocariam fogo na residência. Uma testemunha ouviu a conversa e, mais tarde, ajudou a polícia nas investigações.
Imagens de câmera de segurança mostraram o adolescente chegando de bicicleta a um posto de combustíveis para comprar gasolina em um galão. Depois, ele seguiu até a casa acompanhado de Adriano. Conforme a investigação, o adolescente espalhou o combustível enquanto Adriano riscou o fósforo e iniciou o incêndio.
As vítimas tentaram escapar desesperadamente, mas ficaram presas dentro do imóvel. A casa tinha grades nas janelas e a porta estava trancada. Uma testemunha chegou a arrombar a entrada com um machado para tentar salvar o grupo. Lucinda morreu ainda no local. Hélio e Daniel chegaram a ser socorridos para a Santa Casa, mas não resistiram aos ferimentos. Edna foi a única sobrevivente do incêndio.
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