Com saneamento, MS pode ter valorização imobiliária de R$ 1 bilhão até 2031

O objetivo é que o Estado alcance 99% de água potável e 90% de coleta e tratamento de esgoto nos próximos anos

| IZABELA CAVALCANTI / CAMPO GRANDE NEWS


Trabalhadores em obra de esgoto em Campo Grande (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

O avanço do saneamento básico em Mato Grosso do Sul deve transformar não apenas a qualidade de vida da população, mas também o mercado imobiliário do Estado nos próximos 5 anos.

De acordo com o estudo “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento no Mato Grosso do Sul', lançado pelo Instituto Trata Brasil, a universalização dos serviços até 2031 pode gerar valorização imobiliária de R$ 1 bilhão no Estado. Além disso, a melhoria ambiental favorece o turismo, com potencial de gerar R$ 1,2 bilhão.

'Quando temos acesso pleno ao saneamento, a água chega 24 horas por dia. O esgoto coletado e tratado, vai despoluir os rios, vai trazer uma melhor qualidade de vida para a população. Então esse ganho é de quase 1 bilhão de valorização imobiliária', pontuou a presidente do instituto, Luana Pretto, em entrevista ao Campo Grande News.

A universalização do saneamento deve reduzir significativamente doenças de veiculação hídrica, como dengue, leptospirose e diarreia, gerando uma redução de custo na saúde de R$ 233 milhões.

Esse conjunto de fatores resulta em um ganho de produtividade estimado em R$ 8 bilhões para a população.

“A partir do momento em que a gente tem essa redução do índice de doenças a gente tem uma maior produtividade', disse.

Estão previstos investimentos de R$ 5,15 bilhões até 2031, com retorno líquido de R$ 16,1 bilhões. Atualmente, Mato Grosso do Sul já apresenta um nível de investimento superior à média nacional, com R$ 207 por habitante ao ano, frente a R$ 137 no Brasil. Em Campo Grande, esse valor chega a R$ 301 por habitante.

A projeção está alinhada ao novo marco legal do saneamento, que estabelece metas nacionais de 99% da população com acesso à água potável e 90% com tratamento de esgoto. Em Mato Grosso do Sul, esse objetivo deve ser alcançado até 2031. Atualmente, o Estado já atingiu 81% de cobertura dos serviços de saneamento.

“Ao longo do tempo esse investimento vai se traduzir em obra que vai se traduzir em maior percentual. Difícil pensarmos em 100% no Brasil em geral, mas os contratos hoje estão sendo estipulados com base no marco legal. Para chegar a 100%, tem que pensar nas áreas rurais, tem que pensar nas áreas muitas vezes bem pouco adensadas', completou Luana.

A cada R$ 1 investido em Mato Grosso do Sul, o retorno econômico e social é de R$ 5,90, acima da média nacional, que é de R$ 4,10.

O estudo aponta também que crianças que vivem em áreas com saneamento têm, em média, dois anos a mais de escolaridade. Também há uma diferença média de R$ 800 entre pessoas que têm acesso ao saneamento e aquelas que não têm.

Regiões - Na prática, os benefícios também podem ser percebidos no dia a dia. Em Campo Grande, por exemplo, o ganho anual por habitante pode chegar a R$ 7,2 mil. Em outras cidades, os valores são ainda maiores, como em Dourados (R$ 10,7 mil por ano) e Corumbá (R$ 10,4 mil por ano).

“Esse é o ganho que uma pessoa pode ter por ano com essa universalização do saneamento. Ela vai ficar menos doente, vai gastar menos com remédio, vai ter ganho monetário de produtividade. Imagina uma pessoa que só ganha, se trabalha, cada episódio de diarreia faz ela ficar afastada 3 dias do trabalho. Então, soma isso ao longo de 1 ano', analisou Luana.

A atuação da Aegea em Mato Grosso do Sul ocorre por meio de duas operações complementares: a Águas Guariroba, responsável pelos serviços de água e esgoto em Campo Grande, e a Ambiental MS Pantanal, responsável pela operação dos sistemas de esgotamento sanitário em 68 municípios do interior, por meio da Parceria Público-Privada com a Sanesul e o Governo do Estado.

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