Recompensa de R$ 15 mil por Joãozinho atrai até falsos sequestros de gato

Desaparecido desde julho, siamês tem nome em homenagem ao pai de tutora de 86 anos, que não perde a esperança

| THAILLA TORRES E VICTóRIA COSTACURTA / CAMPO GRANDE NEWS


Judith Rodrigues, aposentada de 86 anos, que espera reencontrar o companheiro de todos os dias.

A recompensa de R$ 15 mil para encontrar o gato Joãozinho tem movimentado Campo Grande desde que o valor foi anunciado pela família. Já apareceram gatos parecidos, mensagens, vídeos e até quatro felinos que acabaram ganhando um novo lar. Mas, até agora, nenhum deles era Joãozinho, desaparecido desde 8 de julho. Em meio às buscas, a família também relata tentativas de aproveitar a recompensa, incluindo simulações de sequestro em ligação.

Por trás do valor está a saudade de Judith Rodrigues, aposentada de 86 anos, que espera reencontrar o companheiro de todos os dias. Joãozinho foi nome escolhido para homenagear o pai dela, já falecido.

“Eu chamo ele de Joãozinho para mim não esquecer do meu pai, né? Meu pai era um homem muito bom , para todo o mundo. Ajudava muita gente. Aí eu falei, vou em homenagem ao meu pai, vou dar o nome dele de Joãozinho', conta.

O pai se chamava João, mas o gato ganhou o diminutivo porque era pequeno quando chegou à família, há três anos. Desde então, virou companhia inseparável de Judith, principalmente na hora de descansar.

“Joãozinho, vem aqui, ele já vinha de carreira. Ele era assim. Joãozinho, vamos dormir? Vamos lá deitar, né? Aí ele já corria na frente e deitava lá', lembra.

Foi a ausência dele na hora de dormir que fez Judith perceber que alguma coisa estava errada. No dia 8 de julho, depois do almoço, Joãozinho não apareceu para deitar ao lado dela, como fazia todos os dias.

Ela procurou pela casa, chamou pelo nome, mas Joãozinho não respondeu. “Aí depois disso já me desesperei. Chamei por tudo quanto é canto, nada, nada, nada. Falei: 'Ele fugiu'', recorda.

Desde então, a família não parou de procurar. Judith chegou a sair com um dos filhos para verificar informações de que o gato teria sido visto na região da saída para Cuiabá, mas não era ele.

O filho Reginaldo Rodrigues, de 56 anos, corretor de imóveis, conta que a repercussão trouxe uma quantidade enorme de mensagens. Algumas pessoas enviam fotos e vídeos, outras chegam a levar gatos até a família, na esperança de receber a recompensa.

“Tem desde julho até agora, tem muitas pessoas que já ligaram, mandaram mensagem e vídeo', relata.

A semelhança entre os gatos siameses tem dificultado as buscas. Em algumas situações, os animais são levados para verificação, mas acabam não sendo Joãozinho. Como os responsáveis não querem recebê-los de volta, a família decidiu acolhê-los.

“Resumindo, meu irmão está com quatro Joãozinhos em casa que não é o Joãozinho', conta Reginaldo.

Apesar das confusões e das tentativas de tirar vantagem do dinheiro oferecido, a família mantém a recompensa. Inicialmente, o valor era de R$ 10 mil, mas foi aumentado para R$ 15 mil como forma de incentivar mais pessoas a ajudar.

Judith explica que o dinheiro é uma oportunidade de encontrar o gato e, ao mesmo tempo, ajudar quem precisa. “Uma troca de amor, né? Como eu preciso dele, eles também podem até precisar do dinheiro. Pode ser uma pessoa que não tem muito, né?', explica.

Como reconhecer Joãozinho? O gato é siamês, tem olhos bem azuis, rosto escuro, corpo em tom caramelo escuro e pelos curtos e lisos. Diferentemente de outros siameses, seu rabo não é volumoso.

Outra característica é o comportamento carinhoso. Segundo Reginaldo, Joãozinho costuma responder quando é chamado pelo nome e se deita no chão para brincar.

“Se você falar Joãozinho, Joãozinho, ele já deita no chão assim, já fica brincando, fica todo alegre', descreve.

Para a família, existe a possibilidade de que alguém tenha encontrado Joãozinho e esteja cuidando dele sem saber que é procurado. “Eu acredito que alguém ainda deve estar com ele em casa', diz Reginaldo.

Enquanto isso, Judith segue esperando pelo companheiro que carregava o nome e a lembrança de seu pai. “Tô muito triste. Quero que ele apareça aqui em casa ou alguém encontre ele', desabafa.

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