Hidrovia do Rio Paraguai movimenta 34% mais carga, mas receita cai 60%
Alta dos embarques de minério por Corumbá não evitou queda no faturamento das exportações
| ANDERSON VIEGAS / CAMPO GRANDE NEWS
A Hidrovia do Rio Paraguai movimentou 34,18% mais carga em Mato Grosso do Sul no acumulado de janeiro a maio de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. O volume passou de 3,054 milhões de toneladas para 4,098 milhões de toneladas, considerando as movimentações fluviais pelos terminais de Corumbá e Porto Murtinho, segundo o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
O resultado se deve principalmente ao desempenho das exportações por Corumbá, que cresceram 46,88% na comparação, passando de 2,757 milhões para 4,050 milhões de toneladas. O principal produto despachado pelos terminais foi o minério de ferro, com 3,948 milhões de toneladas, equivalente a 97,49% do total. Completam a pauta o manganês, com 98,998 mil toneladas (2,44%), o ferro-gusa, com 2,595 mil toneladas (0,06%), e motores para embarcação, com apenas 333 quilos, participação praticamente irrisória.
Por outro lado, o volume de exportações por Porto Murtinho caiu 83,83% neste ano em relação ao anterior, despencando de 296,780 mil toneladas para 47,982 mil toneladas. O único produto embarcado foi a soja em grãos.
Se, no somatório das duas praças, houve crescimento no volume movimentado, o mesmo não se repetiu na receita obtida com os embarques internacionais. Em Corumbá, o faturamento recuou 43,89%, passando de US$ 151,567 milhões para US$ 85,040 milhões. Já em Porto Murtinho, a receita caiu 82,71%, de US$ 107,521 milhões para US$ 18,594 milhões.
No consolidado das duas praças, a receita das exportações pela hidrovia encolheu 60,76%, passando de US$ 259,088 milhões para US$ 103,634 milhões, apesar do avanço de 34,18% no volume embarcado.
O descompasso entre o aumento da movimentação e a queda do faturamento pode ser explicado, em grande parte, pela desvalorização das commodities minerais no mercado internacional. Segundo o World Bank Commodities Price Data (Pink Sheet), o minério de ferro registrou sucessivas quedas de preços ao longo de 2025 e no início de 2026, reduzindo o valor obtido com as exportações mesmo diante do crescimento dos embarques.
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