Estado abre duas licitações para poços em aldeias indígenas de Japorã e Tacuru

Propostas poderão ser apresentadas a partir de julho; editais não informam o valor estimado das contratações

| MYLENA FRAIHA / CAMPO GRANDE NEWS


Entrada da Aldeia Porto Lindo, em Japorã; a comunidade será contemplada com a contrução de poço de abastecimento (Foto: Divulgação/Prefeitura de Japorã)

O governo de Mato Grosso do Sul abriu duas novas licitações para obras de ampliação e melhorias no sistema de abastecimento de água em aldeias indígenas dos municípios de Japorã e Tacuru. Os editais foram publicados nesta quarta-feira (3) pela Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul) no DOE (Diário Oficial do Estado).

As obras serão executadas na Aldeia Indígena Porto Lindo, em Japorã, e na Aldeia Jaguapiré, em Tacuru. Em ambos os casos, o valor estimado das contratações foi mantido sob sigilo. Os recursos utilizados serão próprios da Sanesul e de convênio com a Itaipu Binacional.

A licitação nº 020/2026 prevê a contratação de empresa para executar obras de ampliação e melhorias no sistema de abastecimento de água da Aldeia Porto Lindo. A abertura das propostas está marcada para o dia 8 de julho, às 9h, e o prazo para protocolo vai até 7 de julho, às 17h, na Gerência de Licitações e Contratos da Sanesul.

Já a licitação nº 026/2026 trata das obras na Aldeia Jaguapiré, em Tacuru. A sessão de abertura será no dia 15 de julho, às 9h, com recebimento das propostas até 14 de julho, às 17h.

Os editais incluem serviços de perfuração de poços tubulares profundos, com execução em solo e rocha sedimentar, instalação de revestimentos em aço e PVC (policloreto de vinila), aplicação de filtros, além de testes de bombeamento e desenvolvimento dos poços com sistema Air Lift. Entre os serviços previstos estão perfurações com diâmetro superior a 24 polegadas e profundidades que somam dezenas de metros.

Outros investimentos - As novas licitações se somam a outros investimentos recentes voltados ao abastecimento de água em comunidades indígenas do Estado. Em maio deste ano, a Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) lançou licitações para construção de dois “superpoços' nas aldeias Bororó e Jaguapiru, em Dourados.

As duas aldeias ficam a cerca de 8 quilômetros do Centro de Dourados e reúnem mais de 25 mil moradores em uma área de aproximadamente 3,5 mil hectares. Caso fossem um município, corresponderiam ao 20º mais populoso de Mato Grosso do Sul.

Os indígenas enfrentam uma crise crônica de desabastecimento de água. O armazenamento improvisado do líquido para consumo também foi apontado como um dos fatores que agravaram o surto de chikungunya registrado na região.

Segundo os editais publicados em maio, os dois superpoços terão custo estimado de até R$ 8,9 milhões. As estruturas fazem parte de um sistema completo de abastecimento, com reservação e rede de distribuição.

Em entrevista anterior ao Campo Grande News, o diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio, afirmou que os projetos foram dimensionados como sistemas urbanos de médio porte devido ao tamanho da população atendida.

“Cada aldeia vai ter um superpoço. Então, nós vamos fazer dois sistemas independentes, cada um com um superpoço de vazão grande, rede de distribuição para todas as unidades de moradia e um sistema pesado de reservação', afirmou Renato.

Segundo Renato, os poços terão maior profundidade e capacidade de vazão para atender à demanda das comunidades. “É praticamente como se a gente pegasse um município que não tivesse nada de água e providenciasse toda a estrutura do zero', disse.

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